Filho de pastora, Victor Cavalcanti lança "Medicina", faixa inspirada na polêmica "cura gay" • MAZE // MTV Brasil
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Filho de pastora, Victor Cavalcanti lança “Medicina”, faixa inspirada na polêmica “cura gay”

Luiz Henrique Oliveira769 views

Em 2017, a parte racional do Brasil ficou perplexa. Tudo por causa de uma decisão do juiz da 14ª Vara Federal no Distrito Federal, Waldemar Cláudio de Carvalho. Ele assinou uma liminar autorizando psicólogos a oferecerem a terapia de reversão sexual. Para quem não sabe, essa é a popularmente chamada “cura gay”. Filho de pastora, o artista Victor Cavalcanti se inspirou nesse lamentável fato para compor seu novo single, chamado “Medicina”.

Neste novo trabalho, que sucede “Caos: Sobre Coroas, Livros e Chaves”, Victor reflete sobre as questões que cercam essa suposta terapia de reversão sexual. Tendo sido criado em igreja católica, desde pequeno ele ouvia que a sua sexualidade era uma doença, que deveria ser objeto de repulsa. Além, claro, do batido argumento religioso de que ser gay “é coisa do demônio”. Consequentemente, isso causou tristeza e frustração em sua infância.

Em “Medicina” ele usa toda a frustração de sua infância e adolescência para criar um pop dançante sensacional. No entanto, mantém a preocupação em falar sobre esse assunto de forma crítica:

“Quando existe uma ‘terapia’ para deixar de ser gay, é, não indiretamente, mas completamente direta a mensagem de que ser gay significa ser doente. Permitir que isso exista é um ato completamente homofóbico, e um ataque à quem quer aceitar-se e não deixam-o. Eu estive na igreja, e ouvi de muita gente que eu era gay por minha vontade, pois havia cura para aquilo, eu que não queria. Permitir isso é nocivo e perigoso”

A criação de “Medicina” e a produção do single ficaram a cargo do próprio Victor, e o videoclipe ficou a cargo de Giuli Lacorte, da Casaestudio. A música já está disponível em todas as plataformas digitais, e o belíssimo trabalho audiovisual você pode ver abaixo. Ouça agora!

 

Luiz Henrique Oliveira
Nasceu no interior de São Paulo em 1986 e escreve sobre cinema em blogs desde 2004. Curte drama, comédia e ficção científica, mas ama mesmo O Poderoso Chefão. Tem interesse no mundo geek, em música brasileira e pode ser facilmente confundido com o Chico Bento pelas ruas da capital paulista.