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Entenda o final de “Sombra Lunar”, novo filme de ficção científica da Netflix

Luiz Henrique Oliveira6940 views
Entenda o final de Sombra Lunar, novo filme de ficção científica da Netflix

“Sombra Lunar”, novo filme de ficção científica da Netflix, inclui viagens no tempo, sacrifícios e muito mais enredos que podem soar confusos. O longa mostra um intrigante mistério cheio de reviravoltas sobre obsessão e sacrifício. Boa parte da crítica compara o filme como uma mistura entre o filme “12 Macacos” e a série “True Detective”. Por isso mesmo, o final exige explicações detalhadas.

O filme, dirigido por Tim Mickle e estrelado por Boyd Holbrook e Michael C. Hall, tem deixado cada vez mais pessoas intrigadas com sua trama complicada. Neste artigo, vamos explicar o final do longa – não, sem antes, dar um panorama sobre a história como um todo.

Atenção: só para avisar, o texto possui spoilers pesados sobre a história do filme. Por isso, se você ainda não assistiu, não leia!

Caso queira saber sobre o filme sem spoilers, veja a crítica do nosso parceiro Cinco Tons:

 

Um resumo de “Sombra Lunar”

Em 1988, na Filadélfia, Thomas Lockhart (papel de Holdbrook) se vê atrás de um assassino que pode fazer com que o cérebro de suas vítimas derreta de cabeça usando uma tecnologia desconhecida. A história então avança em intervalos de nove anos. Nesse período, acompanhamos os esforços prolongados e destrutivos do detetive para encontrar o misterioso assassino, que continua desaparecendo e reaparecendo. E, a cada vez que surge, deixa mais algumas pistas sobre suas atitudes.

Durante o período em que permanece investigando os assassinatos, a família de Lockhart desmorona, assim como sua própria vida. Uma das poucas pessoas que permanece ao seu lado é o Detetive Holt (Michael C. Hall). Uma série de eventos leva a algumas revelações trágicas para Lockhart e é oferecida a ele uma chance de um novo começo para o policial.

O final de “Sombra Lunar” traz uma resolução que fecha um círculo completo, que acompanhamos na estrutura central da narrativa. O filme começa com um bombardeio na Filadélfia em 2024, antes de voltar para 1988, onde encontramos Lockhart e sua esposa grávida, Jean.Enquanto em serviço, Lockhart e sua parceira são chamados a atender uma ocorrência. Trata-se de um acidente de ônibus, onde Lockhart descobre que, na verdade, a vítima foi morta por uma injeção na parte de trás do pescoço. De alguma forma, essa substância causa o derretimento do cérebro da pessoa afetada. Os dois então começam a seguir a trilha do assassino até uma estação de metrô. Lá, Lockhart confronta a pessoa suspeita, que acaba sendo morta por um trem que se aproxima.

 

Quem é a viajante?

Antes disso, porém, ela conta a Lockhart sobre a filha dele, que estava prestes a nascer. Quando sua esposa morre, Lockhart usa o caso deste misterioso assassino como uma maneira de lidar com o sofrimento de perder sua esposa. O filme então avança para 1997, e outra onda de mortes por derretimento cerebral ocorre no mesmo dia dos nove anos anteriores. Lockhart, agora um detetive, imagina que é a mesma mulher, apesar de ter visto ela morrer nos trilhos do metrô em 1988. Ele permanece investigando, tornando-se cada vez mais insuportável para as pessoas em sua volta. Isso porque ele se recusa a abandonar sua teoria de que ela é uma viajante do tempo, e que há uma conexão entre todos os seus objetivos.

Ele só consegue a sua redenção em 2015, quando finalmente consegue encontrá-la na hora exata e o local em que sua máquina do tempo estava pousando. No confronto, ela explica que é a neta dele, Rya, e sua missão era impedir que um grupo de terroristas supremacistas brancos iniciasse uma nova guerra civil americana que destrói o país. Lockhart descobre que muitas das pessoas que ela matou fazem parte do movimento True America Movement, que, em 2024, bombardeou a Filadélfia. Exatamente o que vemos na abertura, e que deu início à guerra racial.

Rya está viajando de volta no tempo, voltando ao passado toda vez que há uma lua de sangue. Isso significa então que este é seu primeiro encontro com ele. As injeções são acionadas do futuro, projetadas para reverter a guerra pela Dra. Naveem Rao, que projetou a arma e a cápsula de viagem no tempo. Ela incentiva Lockhart a encontrar sua filha, que está dando à luz a própria Rya, pois o futuro deles está agora a salvo do conflito que se aproxima. A cena final de “Sombra Lunar” é Lockhart segurando o bebê Rya, enquanto ele é recebido de volta por sua família, de quem se encontrava distante.

 

A viagem no tempo em “Sombra Lunar”

Entenda o final de Sombra Lunar, novo filme de ficção científica da Netflix
Michael C. Hall em cena de Sombra Lunar, filme novo da Netflix

A viagem no tempo é introduzida no meio de “Sombra Lunar”: em 1997, Lockhart e seu então parceiro Maddox são visitados por um Dr. Rao, que tenta explicar a eles que o suspeito que eles estão procurando está viajando no tempo através do ciclo lunar.

A cada nove anos, há o fenômeno do mundo real de uma “lua de sangue”, durante o qual se torna possível abrir uma brecha no tempo e no espaço em que alguém pode pular. Os detetives ignoram a possível explicação, mas o Dr. Rao continua esse trabalho até que, no futuro, ele se tenha se tornado não apenas um sucesso, mas aquele que envia Rya – a neta de Lockhart – em sua missão.

A maneira como a viagem no tempo é retratada em “Sombra Lunar” baseia-se em idéias de vários itens de ficção científica. São coisas vistas em filmes como “Exterminador do Futuro”, bem como no já citado “12 Macacos”, apenas para citar alguns. A ideia se baseia da seguinte forma: o tempo é fixo, os personagens não podem mudar o passado, mas apenas habilitá-lo.

Rya precisa usar um casulo coberto de tubulação e isolamento que enche de água para se transportar, e aparentemente só pode fazer uma parada de cada vez na ordem inversa, chegando a 2015, depois a 1997 e assim por diante. A inteligência do roteiro é colocar Rya e Lockhart como herói e vilão – dependendo da perspectiva que você segue. Isso faz com que se crie uma forte inevitabilidade para o enredo final do filme.

 

O tempo não pode ser desfeito

O mais trágico em “Sombra Lunar” é que, ao matar Rya em 1988, Lockhart criou um ponto fixo no tempo que não pode ser desfeito. Dessa forma, a dupla fica presa em um ciclo do tempo: ela nasceu apenas por causa das circunstâncias da morte de sua avó e do que aconteceu depois.

Ao combinar sua necessidade inabalável de fechar a morte de sua esposa e capturar Rya, Lockhart perdeu quase tudo nos 27 anos seguintes, alienando sua filha e sua família no geral. No entanto, sua filha o recebe de volta em sua vida quando está em trabalho de parto, querendo que ele veja sua primeira neta.

O trabalho de Rya ao viajar no tempo impede que o True America Movement se torne poderoso o suficiente para causar os estragos previstos. Dessa forma, todos têm a chance de um futuro novo e melhor. No monólogo de encerramento, ela discute que Lockhart viverá uma vida cercada de amor e perdão, e que o que ela fez dá a todos uma segunda chance, sem precisar saber o quanto chegaram perto da devastação completa da humanidade.

“Sombra Lunar” aproveita o enredo para falar diretamente sobre o mundo real – o que vivemos atualmente. É sabido que vários grupos racistas, iguais ao True America Movement do filme, se encorajaram nos últimos anos. Além disso, a maneira como suas crenças são enraizadas nas gerações seguintes é uma maneira de destacar o desafio de tentar superar os tentáculos da chamada supremacia branca.

A mensagem do filme, então, se torna clara: nós não podemos confiar em um herói que viaja no tempo para reverter as coisas quando nós falhamos como sociedade. Em vez disso, temos a obrigação que construir um amanhã melhor agora e nos dar a chance que Lockhart quase não teve.

Luiz Henrique Oliveira
Nasceu no interior de São Paulo em 1986 e escreve sobre cinema em blogs desde 2004. Curte drama, comédia e ficção científica, mas ama mesmo O Poderoso Chefão. Tem interesse no mundo geek, em música brasileira e pode ser facilmente confundido com o Chico Bento pelas ruas da capital paulista.