Review: "Cidades de Papel" ("Paper Towns", 2015)
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Resenha: “Cidades de Papel” (Jake Schreier, 2015)

Gustavo Mata1621 views

Cidades de Papel” é o tipo de filme que poderia ser absurdamente clichê sem qualquer tipo de peso: aventura e romance entre adolescentes, um elenco famoso, um diretor elogiado e um time de roteiristas renomados (ênfase no “time”) são apenas algumas das características do filme, uma adaptação do livro de mesmo nome escrito por John Green, autor de sucessos como A Culpa é das Estrelas e Quem é Você, Alasca?. Porém, o “poderia” não é realidade.

Com esteia marcada para o próximo 9 de julho, Cidades de Papel é divertido na medida certa, leve sem ser fraco e, mais importante, simples sem ser banal.

Pôster de "Cidades de Papel"Nat Wolff surpreende no papel do carismático Quentin, um menino prestes a se formar no ensino médio e preocupado com seu futuro e os estudos, mas sem ser o tipo “nerd atrapalhado” que os filmes do gênero adoram retratar. Sempre rodeado de seus dois melhores amigos (Bem e Radar, muito bem interpretados por Austin Abrams e Justice Smith, respectivamente), Q se envolve nas mais bizarras e divertidas situações com Margo, uma amiga de infância que, repentinamente, aparece na janela do seu quarto pedindo para que o garoto a acompanhe em suas “nove tarefas”.

Os dois, que eram grandes amigos durante a infância, tratam de colocar o mirabolante plano de vingança de Margo em prática: traída por seu ex-namorado, a menina e o ex-amigo se divertem e se arriscam executando tarefas como colocar um peixe morto no meio das roupas da amante do ex e até mesmo fotografar o garoto nu fugindo do pai da moça. Porém, quando Margo desaparece no dia seguinte (o que era um hábito da menina, segundo a mãe da própria), Q se sente na obrigação de encontrar a amiga e, como assume no decorrer do filme, o amor de sua vida. Para isso, ele e seus amigos tentam desvendar os mistérios e pistas deixados por Margo e embarcam em uma repentina e emocionante viagem em busca da garota.

A maneira como cada um dos personagens se propõe a ajudar os outros encanta e, mesmo se tratando de um comédia romântica, o humor predomina e dá, sim, espaço para o amor aparecer, mas sem deixar que esse tome conta da história. Se em A Culpa é das Estrelas o faz de conta era protagonista, em Cidades de Papel ele aparece discretamente no canto da tela, acenando de vez em quando. Comparar as duas obras é um tanto errado, já que ambas tem abordagens completamente diferentes, mas Paper Town parece muito mais verdadeira, palpável. Os personagens são encantadores por sua simplicidade, o que passa um certo conforto ao telespectador e deixa aquele gosto de “queria fazer parte desta história” na boca.

Porém, é impossível falar do filme sem mencionar essa grande fogueira que é Margo. Interpretada de forma convincente pela sensacional Cara Delevigne, a menina é um poço de complexidade e animação que arranca sorrisos por onde passa – seja dentro, seja fora da tela. Com suas ideias mirabolantes e um jeito único de ser, ela vira a vida de Q de ponta cabeça e é a faísca da estória. Sua presença no filme não é tão recorrente – na verdade, a personagem pouco dá as caras – e mesmo assim já o suficiente para nos encantar. Delevigne, por sinal, fez um excelente trabalho em sua estreia cinematográfica e parece confortável em seu papel, conseguindo expressar muito bem as feições e trejeitos que Margo requeria da modelo. Não seria surpresa vê-la largando as passarelas de vez e focando em sua carreira como atriz.

Para aqueles que ainda se questionam se o filme vale a pena ou não, a resposta é sim. Há cenas engraçadas, há uma pequena carga romântica, a história é coesa e prende o telespectador. O trabalho da equipe técnica – direção, sonoplastia, trilha-sonora, fotografia, figurino e afins – também é plausível e dão ao filme uma estrutura impecável para que os atores brilhem em seus papeis e para que Cidades de Papel seja, sem dúvidas, um dos melhores atrativos das férias nos cinemas.

Gustavo Mata
Aspirante a escritor e amante da cultura pop, viciado em séries, filmes ruins e Britney Spears.