Retrospectiva: Os 20 melhores filmes de 2014! • MAZE // MTV Brasil
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Retrospectiva: Os 20 melhores filmes de 2014!

Gustavo Mata1573 views

Entra ano e sai ano, somos bombardeados com uma série de produções cinematográficas, umas megalomaníacas, outras um tanto mais simples, mas sempre há aqueles que nos agradam um pouco (muito) mais do que outras. Definitivamente, 2014 foi um grande ano para a sétima arte, repleto de películas cativantes, intensas, divertidas e emotivas.

Na lista que você confere logo abaixo, selecionamos as 20 melhores produções que estrearam aqui no Brasil desde o dia 1 de janeiro até o último dia 25 (por isso há filmes que saíram no ano passado nos cinemas internacionais, mas que só chegaram às telas nacionais em 2014). Vem com a gente viajar por essa seleção bem diversificada, mas feita com muito cuidado e senso crítico!20

20. Maze Runner: Correr ou Morrer (Wes Ball, 20th Century Fox Film Corporation) – A primeira parte cinematográfica baseada na franquia de James Dashner chegou aos cinemas esse ano e não decepcionou. Estrelado por Dylan O’Brien e Kaya Scondelario, ‘Correr Ou Morrer’ conseguiu seguir muitos detalhes do livro de forma bem crua e quase fiel, além de contar com o ritmo empolgante e desenrolar frenético que o livro exige. Apesar do final ter sido um pouco diferente do original, não dá pra deixar de transparecer a ansiedade para ‘Maze Runner: Prova de Fogo’, cujas filmagens já estão em andamento.

1919. O Lobo de Wall Street (Martin Scorsese, Paramount Pictures) – A terceira parceria entre Martin Scorsese e Leonardo DiCaprio tinha tudo pra dar errado: uma biografia de uma figura polêmica que seria, até então, um retrato cru da vida do golpista Jordan Belfort, famoso nos anos 90. Mas pra quem achou que teríamos um dramalhão-querendo-ser-comédia em mãos (como quem vos escreve), O Lobo De Wall Street se mostrou uma grande e bela surpresa. Ao longo de três horas que passam em um piscar de olhos, Scorsese nos presenteia com uma obra ácida, irônica, humorística e muito bem construída, destruindo qualquer conceito de moral com um personagem sem escrúpulos, que não teria o mesmo impacto se não fosse a atuação lendária de Leonardo DiCaprio.

1818. Guardiões da Galáxia (James Gunn, Walt Disney Studios Motion Pictures) – Guardiões da Galáxia não é um simples filme de super-heróis inspiradores e de bons costumes, muito pelo contrário: seus protagonistas são completos anti-heróis que só fazem história para salvarem suas próprias vidas. Claro que no decorrer da história os personagens são desconstruídos e modelados, mas isso não vem ao caso. Com uma premissa simples, mas muito bem executada, Guardiões não é mais uma adaptação de uma saga bizarra da Marvel e sim um dos filmes mais divertidos e promissores dos últimos anos.

1717. Amantes Eternos (Jim Jarmusch, Sony Pictures Classic) – Retratar a história de dois vampiros apaixonados que vivem na Terra há séculos é quase a mesma coisa que mergulhar num mar de clichês. Exceto quando se tem um roteiro original e ótimos atores, certo? Foi assim que o diretor Jim Jarmusch deu vida a um novo clássico do gênero. A fotografia de Amantes Eternos, sempre com tons escuros e a trilha sonora “rock n’ roll” surgem para complementar o ar “dark” vampiresco que todos os filmes do gênero exigem.

1616. Jack Ryan: Operação Sombra (Kenneth Branagh, Paramount Pictures) – A verdade é que a América sempre quis um James Bond para chamar de seu e o personagem que chegou mais próximo de alcançar o feito foi Jack Ryan, que retornou aos cinemas após 12 anos. Na nova aventura do agente da CIA, interpretado pelo carismático Chris Pine (que surpreendentemente se encaixou muito bem no papel), viajamos entre Nova Iorque e Moscou em uma trama um tanto clichê, mas digna de atenção. Sem nenhuma complexidade ou grandes pretensões, Operação Sombra é um filme que cumpre seu papel no retrato de um grande personagem e satisfaz por suas espetaculares cenas de ações e um frescor que não se via há muito tempo nos grandes filmes de ação americanos.

582x0_141346626215. Operação Big Hero (Don Hall, Walt Disney Pictures) – A primeira animação da Disney em parceria da Marvel teve um saldo bem positivo. Colocando em voga o amor fraternal (assim como as últimas obras dos estúdios do Mickey), Big Hero não possui uma fórmula muito diferente do que estamos acostumados a conferir. Por outro lado, o ponto forte fica por conta dos cenários coloridos e personagens carismáticos – quem não gostaria de ter um Baymax pra chamar de seu, não é mesmo?

1414. O Grande Hotel Budapeste (Wes Anderson, Fox Searchlight Pictures) – No período entre as duas guerras mundiais, Zero (Tony Revolori), um jovem empregado, e M. Gustave (Ralph Fiennes), gerente de um hotel europeu, se tornam amigos e, juntos, partem para diversas aventuras neste filme dirigido por Wes Anderson. Entre as várias situações, destaca-se o sumiço de um quadro e a batalha pela grande fortuna de uma senhora que acaba de falecer. Além do ótimo elenco, do roteiro inteligente, que congrega uma história dentro de outra sem confundir o espectador, e também da trilha sonora, um dos fatores que mais chama a atenção nessa película é a fotografia espetacular: não tem como não se encantar. Se você ainda não conferiu O Grande Hotel Budapeste, faça logo seu check-in e aventure-se nesta história.

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13. Malévola (Robert Stromberg, Walt Disney Studios Motion Pictures) – Malévola foi a adaptação em real motion do clássico da Disney “A Bela Adormecida”, mas dessa vez narrada pelo ponto de vista da até então “bruxa má” da história. Ao desenrolar do enredo carregado por um apelo visual interessante e incrivelmente bem feito, “Malévola” se tornou um filme muito além das expectativas já altas desde antes do seu lançamento.

1512. O Espetacular Homem-Aranha 2 (Marc Webb, Colubia Pictures) – Possível último filme com Andrew Garfield no papel de Peter Parker (o ator foi recentemente cortado da franquia), o longa mantém o bom nível da série, que passou por uma reformulação após o fraco Homem-Aranha 3 (ainda com Tobey Maguire), e trouxe um Peter Parker mais moderno e sexy. Nesse 2° filme da nova franquia, Homem Aranha enfrenta o vilão Electro, interpretado com muita competência por Jamie Foxx, um vilão que muito tem em comum com o próprio Peter Parker, pois ambos eram pessoas normais e sofreram uma mutação. Detalhe: é possível que você, antes de mais nada, se emocione com o personagem de Electro e, raro em filmes de super herói, sinta compaixão pelo anti-herói.

1111. Ninfomaníaca (Lars Von Trier, Magnolia Pictures) – Um dos diretores mais provocativos da atualidade, Lars Von Trier causou polêmico ao lançar o seu famigerado Ninfomaníaca, dividido em duas partes. Assim como o título sugere, as produções narram a vida de Joe, uma ninfomaníaca que vive sua vida em prol de suprir seus incensáveis desejo por sexo e passa pelas mais adversas situações ao decorrer de sua história. Charlotte Gainsbourg e Stacy Martin são impecáveis no papel de Joe, dando vida para a personagem em diferentes estágios da vida (Martin na juventude e Gainsbourg na vida adulta) e expressando meticulosamente cada sentimento e feição da complexa personagem. Trier não nos poupa de detalhes e de cenas explícitas para mostrar sua história, contando-a de uma forma crua e real, e, mesmo que o filme pareça um pouco forçado para muitos, aborda com muito cuidado um tema tão polêmico. Fechando a “triologia depressiva” de Lars (que se iniciou com Anticristo e seguiu com Melancolia), Ninfomaníaca é uma obra para ser vista e revista com cuidado, atenção e sem julgamentos prévios. Não é “uma pornô”, como muitos brincaram, e sim um retrato de uma mulher amargurada e marcada por suas diferenças, assim como cada um de nós.

PS: Antes que pedras sejam atiradas, vale lembrar que o filme em questão aqui é a versão completa de Ninfomaníaca, que dura quase cinco horas e meia, não a exibida nos cinemas, que trouxe muitos cortes e comprometeu o desenvolvimento da história.

1010. Nebaska (Alexander Payne, Paramount Pictures) – Nesse filme dirigido por Alexander Payne, o velho e teimoso Woody Grant, personagem brilhantemente interpretado por Bruce Dern, acredita ter ganhado um milhão de dólar e, mesmo sem o apoio da família no início, ele resolve largar tudo e ir, a pé, à cidade de Lincoln, Nebraska, para receber o suposto prêmio. Com uma bela fotografia em preto e branco, o filme narra essa história com uma duração maior do que a necessária, mas, mesmo assim, vale muito à pena conferi-lo.

99. Lucy (Luc Besson, Universal Pictures) – O primeiro dos três filmes protagonizados por Scarlett Johanson presentes em nossa lista (sim!) é um sci-fi que dividiu opiniões, mas conquistou por sua dosagem perfeita entre real e absurdo, divertido e ridículo. Numa história aparentemente simples sobre uma droga que aumenta o uso cerebral humano, Luc Besson nos mostra os vários estágios da capacidade humana e o quanto poderíamos conquistar se esse poder nos fosse dado. Bizarro e eletrizante, intrigante e prazeroso, Lucy é um filme que ultrapassa fronteiras e entretém o espectador com sua insanidade, nos dando uma pequena sensação experimentarmos as mesmas situações da exorbitante e sensacional personagem principal da trama.

88. A Culpa é das Estrelas (Josh Boone, Fox Films) – A culpa é das Estrelas foi uma das adaptações cinematográficas mais aguardadas do último ano. Baseada na obra homônima do autor norte-americano John Green, a história de Hazel Grace, uma adolescente com câncer, não é apenas mais um drama feito para lotar salas de cinemas. A Culpa é das Estrelas é mais profundo do que isso. Hazel, interpretada de forma cativante por Shailene Woodley, procura lidar com seus mais diversos questionamentos, como a morte, o medo do esquecimento, e a própria vida. Em meio a tudo isso, Hazel conhece no grupo de apoio que frequenta, o jovem Augustus Walters, intrepretado de forma não menos cativante por Ansel Elgort, e que assim como ela também possui câncer.A partir daí, os dois procuram desfrutar de suas vidas ao máximo, sempre dentro do limite que a doença impõe, mas nunca com um ar de vitimização. Hazel e Gus são muito mais fortes do que aquilo que os impede de serem plenamente saudáveis. Com um pouco mais do que 2 horas de duração, a Culpa é das Estrelas nos faz rir, nos faz chorar, e principalmente nos faz refletir sobre qual é o principal sentido da vida, e sobre como marcamos e somos marcados por aqueles que amamos.

77. Jogos Vorazes: A Esperança, Parte 1 (Francis Lawrence, Lionsgate) – Baseado no livro de mesmo nome, da autora Suzanne Collins, Jogos Vorazes: A Esperança mostra um aspecto mais político da trama onde os distritos vivem sob o jugo da Capital e resolvem, através de Katniss Everdeen (Jennifer Lawrence), o tordo, se rebelar e iniciar uma revolução. Com novos personagens (destaque para a inexpressiva e fria presidente Coin, interpretada por Julianne Moore), A Esperança torna a história mais complexa e dá o tom para o último filme da série, que será lançado no próximo ano.

66. Sob a Pele (Jonathan Glazer, A24) – Provavelmente o filme mais completo de toda a lista, Sob a Pele é uma aula de humanidade sob a pele de uma grande produção de ficção científica. Em seu terceiro filme, Jonathan Glazer nos apresenta a uma alienígena que vaga pelas ruas de Glasgow, na Escócia, em sua van branca e encontra homens dispostos a acompanhá-la até sua casa, onde coisas bizarras acontecem. E por que eles fariam isso? Simples: a tal extraterrestre se esconde sob de uma humana, interpretada por ninguém menos que Scarlett Johanson (que aparece aqui com a atuação mais impactante e plausível de sua carreira). Porém, conforme a história e o tempo passam, a personagem começa a se transformar e adquirir características mais humanas, tomando consciência de que seus atos não são dos mais corretos. E nessa mudança, essa conquista de uma humanidade, a personagem começa a sofrer e compreender o que é ser essa máquina assustadora que somos nós. Sob a Pele é uma obra para ser admirada, que trata sobre toda a abstração e complexidade da natureza humana, do medo, dos sentimentos, da loucura. É um filme que mostra o quão difícil e arriscado é ser uma mulher num mundo insano, nos mostrando que o mundo precisa mudar e que tudo está entrelaçado a uma única coisa: que o ser humano seja um pouco mais humano.

55. Boyhood: Da Infância à Juventude (Richard Linklater, IFC Films) – O diretor Richard Linklater se arriscou ao trabalhar com os mesmos atores durante 12 anos, gravando Boyhood, um filme que fala basicamente sobre a vida. O longa foca na história de um casal de pais divorciados (interpretados por Ethan Hawke e Patricia Arquette) que tenta criar seus dois filhos: Mason (Ellar Coltrane) e Samantha (Lorelei Linklater). É com esta premissa simples, que Richard Linklater nos presenteou com um dos mais belos filmes deste ano e, também, da história do cinema. É difícil falar desta película em um curto texto, mas é preciso ressaltar que a simplicidade do roteiro, que enfatiza principalmente o crescimento e o amadurecimento de Mason, nos faz refletir sobre nossa própria história. Puxa! Como as coisas mudam em nossa vida, não é mesmo? Quando terminamos de assisti-lo, nos vemos apegados com a família de Mason, e refletimos sobre a nossa vida: o que já fizemos até hoje? Como estaremos daqui a 10 ou mais anos? Como as pessoas próximas a nós estarão? É engraçado como tudo muda e como a vida dá voltas e nos leva a caminhos que nunca imaginamos. Foi com essa essência simples e bonita, que Boyhood se tornou um marco cinematográfico e que jamais deverá ser superado.

44. Interestelar (Christopher Nolan, Paramount Pictures) – Em sua obra mais complexa e admirável, Christopher Nolan elevou sua carreira a outro nível e marcou de vez seu nome entre os grandes diretores do cinema contemporâneo. Na obra, protagonizada pelos vencedores do Globo de Ouro Matthew McConaughey, Anne Hathaway e Jessica Chastain, um grupo de astronautas viajam pelo universo a procura de um novo planeta para que a humanidade se instale, já que a Terra se aproxima do seu fim. Entre saltos de tempo, viagens espaciais e efeitos dignos de Oscar, somos imersos em uma história complicada e agonizante, mas que nos conquista e se esclarece ao decorrer da película. A perfeição dos detalhes, o roteiro impecavelmente redondo e coeso, as atuações memoráveis e uma representação de espaço e tempo que o cinema jamais viu, Interestelar é um sci-fi memorável que deve ser eternizado ao lado de películas como 2001 e Star Trek entre as maiores produções que a sétima arte já viu.

33. Garota Exemplar (David Fincher, 20th Century Fox Film Company) – Baseado na obra homônima escrita por Gillian Flynn, Garota Exemplar é um thriller inteligente e intrigante, com um roteiro muito bem escrito e um elenco categórico e de dar inveja em quase todas as outras produções do ano. Na narração, Ben Affleck dá vida a Nick Dunne, suspeito de arquitetar o desparecimento e morte de sua esposa Amy Dunne, impecavelmente interpretada por Rosamund Pike. Com uma história aparentemente simples, Gone Girl se revela um enorme quebra-cabeça que deixa o telespectador eufórico a cada mudança de cena, mexendo com a cabeça e instigando o público a tentar compreender toda a história. Mais uma vez, Fincher nos delicia com uma produção enigmática e genial, que se transforma ao seu decorrer e surpreende a cada momento. Garota Exemplar é um filme que interage com o seu público, mexendo com seus sentimentos e destruindo qualquer ideia que você tenha sobre o desenrolar da história, e é por isso que ele se faz necessário não só nessa lista, mas como também em todas as premiações que acontecem no próximo ano.

22. Clube de Compras Dallas (Jean-Marc Vallée, Focus Features) – O filme que rendeu o Oscar de melhor ator coadjuvante e melhor ator principal a Jared Leto e Matthew Mcconaughey, respectivamente, é um relato tocante sobre as primeiras vítimas da AIDS e o boom da doença na década de 80. Para os nascidos na década de 90 em diante, o longa é quase uma aula de história sobre como a doença era vista quando surgiu e do quanto as primeiras vítimas foram estereotipadas, humilhadas e sofreram pelas más condições de tratamento e o descaso dos órgãos de saúde pública. Eis um filme que poderia muito bem ter ganhado o Oscar da Academia como melhor produção do ano.

11. Ela (Spike Jonze, Warner Bros. Pictures) – Quando Theodore Twombly (Joaquim Phoenix) termina seu casamento, ele inicia uma relação amorosa com Samantha (voz de Scarlett Johansson), o novo sistema operacional “inteligente” de seu computador. A partir daí, Theodore a trata como se fosse uma pessoa real, até que o personagem percebe que Samantha não passa de um mecanismo virtual, que também está disponível a outros milhões de clientes que adquirem o sistema. É com esta história, que pode parecer bizarra, mas é muito bem contada e estruturada através da direção de Spike Jonze, que o filme faz uma crítica muito bem construtiva sobre a dependência de nós, humanos, das máquinas, mostrando que nenhum sistema operacional, por mais avançada que seja sua tecnologia, poderá substituir 100% o homem. Além do elenco de peso, a fotografia, que sempre inclui tons cinza – nos remetendo à tecnologia -, é mais um detalhe bem explorado nessa película que, sem qualquer dúvida, merece o primeiro lugar na nossa lista.

Gustavo Mata
Aspirante a escritor e amante da cultura pop, viciado em séries, filmes ruins e Britney Spears.