RESENHA | "Transformers: O Último Cavaleiro"
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RESENHA | “Transformers: O Último Cavaleiro” é um mix que tenta agradar todos os públicos

João Batista954 views

No melhor estilo Michael Bay, o blockbuster Transformers: O Último Cavaleiro, quinto filme da franquia, chega às telonas trazendo todos os fatores que lhe renderam sucesso desde seu primeiro lançamento em 2007: barulho, explosões, câmera lenta em pontos chave, fotografia marcante, carros surrealmente invejáveis, o estereótipo da mulher gostosa que se apaixona pelo protagonista corajoso, e um senso de humor aguçado. Neste longa, é possível continuar admirando ótimos efeitos visuais que dão vida, emoção e ação aos robôs gigantes empolgando o espectador a cada aparição, mas infelizmente esta é possivelmente a parte que mais agrega nesta versão.

Aqui, voltamos à idade média para entender que maquinas estão entre os humanos trocando favores e realizando parcerias há muitos anos. A partir deste ponto um novo símbolo de poder surge e fica protegido, mas muitos anos mais tarde traz à tona uma grande ameaçada a humanidade.

O primeiro ato de Transformers: O Último Cavaleiro é bastante interessante. Ele funciona muito bem apresentando um cenário épico, com batalhas bem ensaiadas, personagens lendários conhecidos por nós e novos robôs. No corte para a atualidade, nos apresenta Isabela Moner como uma personagem forte, inteligente e solitária, se virando como pode em um mundo caótico. Neste momento, na interação dela com as demais crianças, temos uma pequena alusão a Stranger Things, e é só. A partir daí, vemos uma salada de acontecimentos sem que sintamos coerência no desenvolvimento.

Primeiro trailer de “Transformers: O Último Cavaleiro” mostra destruição e cenas fortes

O roteiro se mostra desarranjado, mescla diversos núcleos (Medieval, Autobots, Decepticons, TRF, Cuba, Cybertron, Londres, crianças…) sem dar a eles uma interação orgânica. As inúmeras tiradas cômicas são exageradas e perdem seu propósito. Personagens novos desaparecem ou não têm o tempo nem o desenvolvimento que precisam para se tornarem relevantes. Optimus Prime, com uma trama pesada nas costas, não tem o aproveitamento que merecia para um líder de Autobots corrompido. Ainda vemos na franquia muitos cortes de cenário não ajudam o espectador a amarrar a história; e planos fechados em lutas que não ajudam a entender o que de fato ocorre nas cenas mais ricas de ação. As cerca de 2h30 de filme deixa um sentimento de confusão e cansaço pela forma com que o longa foi conduzido.

Assim, os grandes fãs da franquia conquistados pelo design, pelos grandes apelos visuais que a serie trouxe até aqui, não vão se decepcionar, pois vão receber este novo filme na mesma linha de seus antecessores. O que traduz também em uma franquia sem muita evolução de conteúdo, mas limitada a mostrar sua riqueza visual, o que ajuda muito principalmente quando vemos em 3D.

*Colaboração: Priscilla Avelino

João Batista
Dono, idealizador e fundador do labirinto. Genioso, carioca que não sabe sambar e amante da cultura pop desde 1991.