RESENHA | "Thor: Ragnarok" é uma divertida tirada de sarro do Apocalipse • MAZE // MTV Brasil
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RESENHA | “Thor: Ragnarok” é uma divertida tirada de sarro do Apocalipse

João Batista723 views

Marvel, um herói de cabelos claros, espaçonaves, explosões, muitas cores e piadas. Muitas piadas. O leitor facilmente poderia imaginar que estamos falando de “Guardiões da Galáxia” do diretor James Gunn, mas como o óbvio título desta resenha entrega, trata-se de “Thor: Ragnarok”, que chega essa semana aos cinemas.

A influência da primeira aventura cinematográfica da turma do Senhor das Estrelas e o guaxinim Rocket, já havia sido percebida nas demais obras da chamada “Casa das Ideias”, porém aqui ela alcançou seu ápice. O que é perceptível nos primeiros minutos onde vemos nosso herói conversando com um morto e um demônio das eras antigas de Asgard, num diálogo recheado de provocações e ironias, numa espécie de inferno extradimensional.

Nesta continuação da franquia, Thor (Chris Hemsworth) é jogado no distante planeta Sakaar, onde precisa enfrentar em uma arena de gladiadores seu antigo companheiro de Vingadores, Hulk (Mark Ruffalo), para retornar a Asgard e evitar o evento profético da destruição completa de sua terra natal, o Ragnarok.

Ao tomar conhecimento da sinopse, parece que o roteiro teria que dar muitas voltas para chegar a sua conclusão, porém com uma certa simplicidade, o desfecho apresenta-se quase que organicamente, sem sentirmos as duas horas e dez minutos da película passar. Apesar disso, há uma repetição da fórmula Marvel, reforçando o argumento dos que defendem que o subgênero filmes de heróis já sofre um desgaste notável, talvez pelo excesso de produções anuais. O ostensivo uso do humor praticamente joga o filme na comédia, o que acaba enfraquecendo a ideia do enfrentamento de um Apocalipse, tirando o peso do que poderiam ser cenas épicas onde temeríamos pela morte de personagens queridas. Como o trailer já vendia essa ideia, isso não acaba se tornando um grande problema, até porque tirando alguns diálogos que parecem estar ali somente para isso, as piadas entram naturalmente e sem muita apelação para aquelas que fazem mais sucesso com os adolescentes, no estilo “Deadpool”, que fazem referências a flatulências e genitais. Esse ponto acaba revelando uma faceta interessante de Chris Hemsworth que é o seu timing humorístico, que funciona muito bem com Mark Rufallo e Tom Hiddlestonn, que mais uma vez vive Loki magistralmente. Com certeza agradará mais ainda os fãs do personagem com seu sarcasmo e cinismo, carregado de carisma.

Falando em vilão, Cate Blanchett nos entrega Hela, a deusa da morte, de maneira convincente e com a segurança de uma veterana nos filmes de personagens poderosas, dando a força que o estilo da vilã necessitava. Rancor, violência e fúria sem caricatura, mostrando a diversão que deve ter sido para ela fazer este papel. Outra presença feminina marcante é a Valquíria de Tessa Thompson, que apesar de uma introdução bêbada canastrona, vive com competência mais uma ajuda que Thor recrutará para salvar Asgard, lembrando o início dos Vingadores com a montagem da equipe. Destaque também para Jeff Goldblum, que vive o excêntrico Grão-Mestre de Sakaar, apresentando momentos hilariantes do que seria um ricaço pavoneado intergaláctico, pretenso imperador, fazendo menção inclusive ao de Roma  no inesquecível “Gladiador”.

Talvez o maior acerto do diretor neozelandês Taika Waititi seja a nítida influência dos quadrinhos no design e nas cores exploradas, bem setentista e oitentista. Para os que não acompanham as HQ´s, estamos falando da influência do mestre Jack Kirby que desenhou diversos heróis da editora por anos, como Quarteto-Fantástico, X-Men, Hulk e o próprio Thor. Tamanha a homenagem prestada ao artista, que até mesmo o estilo de suas explosões foi referenciado.

***

Apesar de seus pequenos problemas de roteiro e repetição da fórmula, “Thor: Ragnarok” com certeza é o melhor filme da franquia, e já demonstra qual será a provável cara da Marvel na sua fase 3 do universo cinematográfico. Os efeitos visuais quase perfeitos, seu humor e a trilha sonora que constantemente faz referência a “Immigrant Song” do Led Zeppelin quando não a toca explicitamente, fazendo você querer soltar os gritos de Robert Plant quando sai da sala de projeção, tornam do filme uma diversão descompromissada, leve e recompensadora.

P.S.: Há duas cenas pós créditos!

*Colaboração: Guilherme Lourenço

João Batista
Dono, idealizador e fundador do labirinto. Genioso, carioca que não sabe sambar e amante da cultura pop desde 1991.