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RESENHA: “Shazam!” encontra o equilíbrio certo entre humor e boas mensagens

Luiz Henrique Oliveira1704 views
RESENHA: "Shazam!" encontra o equilíbrio certo entre humor e boas mensagens

Shazam!, filme esperado por 10 entre 10 fãs de HQ e super-heróis, chega às telonas no próximo dia 5 de abril. Trazendo uma dose extra de humor, o longa se mostra absolutamente divertido. Dessa forma, torna-se o melhor exemplar da DC desde Mulher Maravilha, lançado em 2017. Portanto, bem superior a Aquaman, lançado no fim do ano passado com estardalhaço – atingiu a marca de 1 bilhão de dólares, afinal.

A gente sabe que os filmes da DC/Warner no cinema são famosos por sua falta de senso de humor. Desde a trilogia de Batman, lançada nos anos 2000 e dirigida por Christopher Nolan, o estúdio tem apostado em histórias mais sérias, soturnas e fechadas. Bem ao contrário do que se vê, por exemplo, no Universo Cinematográfico da Marvel, onde há um equilíbrio entre o humor e o drama. Em Shazam!, os produtores acertaram de vez o tom. Isso porque, se tem uma coisa em que este filme é bom, é em fazer rir. O roteiro é redondinho, esquemático até, mas entrega exatamente o que promete: diversão durante duas horas.

O filme não perde muito tempo explicando origens: em menos de dez minutos já sabemos tudo o que precisamos para acompanhar a história de Billy Batson (Asher Angel) e seus poderes recém-adquiridos. O fato de ser um super-herói diferente (corpo de adulto, mentalidade de adolescente) é o maior destaque: gags visuais engraçadas e piadas muito bem colocadas transformam o longa em uma comédia sensacional.

 

Shazam! diverte, mas também tem uma boa mensagem a passar

RESENHA: "Shazam!" encontra o equilíbrio certo entre humor e boas mensagens

Apesar do humor caprichado, Shazam! não é um filme só para fazer rir. As subtramas do filme revelam uma preocupação em passar uma boa mensagem. Uma delas, por exemplo, é a importância da família em nossas vidas – seja a tradicional ou aquela que nós escolhemos. Billy Batson se perdeu de sua mãe quando era criança, e passou a vida pulando de um orfanato a outro. Nesse tempo, ele nunca deixou de procurar sua mãe.

No longa, acompanhamos a sua entrada em uma casa de acolhimento, onde ele conhece os outros moradores, pelos quais ele não se interessa, até começar a conhecê-los melhor.

Por outro lado, o vilão, Dr. Silvana (Mark Strong) também tem seus problemas familiares. O contraste entre as duas histórias forma a principal mensagem que o filme quer passar em suas entrelinhas. Dessa forma, o roteiro também acerta aqui, pois tudo é tratado de forma orgânica: sem apelações ou a temida “forçação de barra”.

Sem dúvida, uma história como a de Shazam! não daria certo se houvesse atores mal escalados. A DC/Warner tem fama de não saber escolher os melhores intérpretes para papéis em seus filmes (quem se lembra de Jared Leto como Coringa em Esquadrão Suicida sabe bem…). No entanto, aqui o elenco inteiro foi escalado de forma sensacional.

 

A escalação do elenco está de parabéns

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Os destaques, por óbvio, são Zachary Levi, como o intérprete do herói em sua forma adulta. O comediante dá conta do recado com enorme talento, lembrando muito o trabalho de Tom Hanks em Quero Ser Grande – com o qual o filme guarda várias semelhanças temáticas. É um dos grandes trabalhos da carreira do ator.

O elenco coadjuvante também comparece em peso: Asher Angel, como Billy Batson adolescente; Jack Dylan Grazer, na pele de Freddie; Faithe Herman, interpretando Darla e Mark Strong como Dr. Silvana estão naturais em uma história que poderia soar absurda caso algum deles não soubesse o tom certo para aplicar em seus personagens. É, de fato, um enorme acerto do filme.

Por outro lado, Shazam! chama a atenção por ser um filme que reverencia outras obras. Além, claro, de espalhar easter eggs durante a sua duração. Quem prestar bastante atenção poderá encontrar várias pequenas referências ao recém-falecido Universo da DC, e também aos seus heróis. No caso, Superman, Mulher-Maravilha, Aquaman, entre outros. Certamente será necessário assistir mais de uma vez para captar tudo o que aparece escondido nas cenas.

Também há referências a outras obras, como o já citado Quero Ser Grande, e o “hadouken”, golpe conhecidíssimo do jogo Street Fighter. Tudo isso é mostrado no decorrer de Shazam! sem forçar, ou seja, diferentemente de Thor: Ragnarok, onde o senso de humor parece gritar na tela o tempo inteiro, aqui a história e as referências são tratadas de forma orgânica. O resultado é sensacional. Mas nem tudo é perfeito.

 

Motivações do vilão

Como acontece com todo herói, Shazam! também tem seu ponto fraco. No caso, o personagem Dr. Silvana, interpretado pelo Mark Strong, é o ponto com mais falhas dentro da história do longa. Isso porque fica claro que ele não é bem desenvolvido pelo roteiro. Suas motivações são fracas e se resumem a um único problema, o tornando unidimensional.

Vale pela atuação de Mark Strong, que é fantástica e consegue contornar os problemas. No caso, é mais uma vitória para o ator do que para o filme em si: ele consegue salvar um personagem que, em mãos menos competentes, poderia facilmente se tornar uma caricatura. Nesse sentido, a DC/Warner continua com seu eterno problema de não saber desenvolver bem os antagonistas de seus filmes. Evidentemente, o Coringa do oscarizado Heath Ledger está fora dessa crítica. Por outro lado, tirando este, qual é o vilão mais contundente da DC no cinema? Certamente não é o famigerado Lobo da Estepe…

Shazam! estreia aqui no Brasil no dia 5 de abril. O nosso conselho é: vale a pena ver no cinema, com o melhor som e melhor imagem que puder. Dessa forma, com certeza será uma experiência divertida.

https://youtu.be/A60Q8S-ohNA

Luiz Henrique Oliveira
Nasceu no interior de São Paulo em 1986 e escreve sobre cinema em blogs desde 2004. Curte drama, comédia e ficção científica, mas ama mesmo O Poderoso Chefão. Tem interesse no mundo geek, em música brasileira e pode ser facilmente confundido com o Chico Bento pelas ruas da capital paulista.