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RESENHA | “Rocketman” transforma história de Elton John em filme brilhante

Luiz Henrique Oliveira1362 views
RESENHA | "Rocketman" transforma história de Elton John em filme brilhante

“Rocketman” começou a ser produzido com desconfiança. Muita gente achou que seria só um caça-níqueis para pegar carona na popularidade que “Bohemian Rhapsody”, o filme que conta a vida de Freddie Mercury. No entanto, todos que duvidaram do potencial deste filme estão agora mordendo a língua.

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Elton John, cuja história é retratada no longa dirigido por Dexter Fletcher, permitiu que ela fosse adaptada para as telas sem cortes. Dessa forma, temos um filme que poderia ser pesado. Elton teve uma vida bastante atribulada nos anos 70. Passou boa parte da década bebendo e se drogando. Quase morreu algumas vezes. Até que, enfim, resolveu buscar ajuda.

E no momento em que procurou um grupo de Alcoólicos Anônimos é que o filme começa. No entanto, o que vemos na tela é fruto da imaginação criativa do cantor e compositor. Quer dizer: são os fatos reais, mas “adaptados” como um enorme musical coreografado na mente de Elton. Belíssima forma narrativa, que não se compromete com nenhuma ordem cronológica.

 

RESENHA | "Rocketman" transforma história de Elton John em filme brilhanteTaron Egerton é o nome de “Rocketman”

No entanto, o grande nome de “Rocketman” é Taron Egerton. O intérprete de Elton John no filme tem aqui o seu melhor trabalho, onde ele mostra que é um ator excelente. Além, claro, de ser um ótimo cantor: ele canta em todos os momentos do longa. O filme pode indicar a ele uma carreira na música, aliás.

Sua interpretação de Elton John é exemplar, fugindo da caricatura que Rami Malek produziu de Freddie Mercury. Egerton não imitou Elton; ele realmente capturou a essência de sua personalidade e transmitiu para o filme. O personagem sofre com a falta de afeição dos pais, com a solidão de sua vida amorosa e uma relação abusiva com o empresário John Reid, interpretado por Richard Madden. O seu único porto seguro é Bernie Taupin, o homem que escreve todas as letras emolduradas pelas melodias de Elton. Jamie Bell dá vida a ele com empatia, carisma e segurança.

Egerton rouba o filme e será, com certeza, lembrado na temporada de premiações. Desde que surgiu para o mundo em “Kingsman”, ele vem crescendo na carreira. Aqui, ele encontra o seu auge, e não é o fato de ficar realmente parecido com Elton John que o credencia.

 

Tecnicamente impecável

“Rocketman” tem uma produção verdadeiramente impecável. A direção inventiva de Fletcher – que substituiu Bryan Singer em “Bohemian Rhapsody” quando este foi demitido – é um grande ponto a favor do filme. Além disso, a reprodução dos figurinos malucos de Elton nos anos 70 é simplesmente impecável. É bem possível que esse aspecto também seja reconhecido na temporada de premiações.

Também há a questão da fotografia. Ela conta a história junto com o excelente roteiro do longa, ressaltando pontos-chave da trama. Estas também são acompanhadas por uma coreografia belíssima, que dá ao filme a aparência de sonho, de uma grande viagem psicodélica, bem como foi os anos 70 mesmo.

De forma resumida, “Rocketman” é um filme exemplar. É uma aula de como fazer uma cinebiografia de um astro pop, deixando no chinelo qualquer outra – recente ou antiga. Elton John é um homem corajoso ao permitir expor sua vida por inteiro. Dessa forma, quando a redenção chega, temos a certeza de que seu sofrimento não foi em vão. E o sucesso que obteve em 50 anos de carreira é completamente merecido. Dessa forma, é fácil concluir: o homem é genial.

Luiz Henrique Oliveira
Nasceu no interior de São Paulo em 1986 e escreve sobre cinema em blogs desde 2004. Curte drama, comédia e ficção científica, mas ama mesmo O Poderoso Chefão. Tem interesse no mundo geek, em música brasileira e pode ser facilmente confundido com o Chico Bento pelas ruas da capital paulista.