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ESTREIA NETFLIX | “O Fotógrafo de Mauthausen” é um filme emocionante e necessário

Luiz Henrique Oliveira5603 views

“O Fotógrafo de Mauthausen” faz parte de um gênero cinematográfico cada vez mais necessário. Os filmes de guerra, que retratam a realidade da Segunda Guerra Mundial, precisam mesmo de maior destaque. Nos últimos anos, tivemos uma série de youtubers e comentaristas de internet simplesmente negando o Holocausto. Isso é inadmissível. Dessa forma, trazer a história de Francesc Boix, tão pouco conhecida até o momento, é um ato necessário. Por consequência, esse conto de coragem e determinação é bastante emocionante.

 

A história do filme se passa no campo de concentração de Mauthausen, localizado na Áustria. Nos últimos momentos da Segunda Guerra, lá eram mantidos os prisioneiros conhecidos como “os espanhóis”. Entre eles, está Francesc Boix, veterano do Exército e fotógrafo profissional. Como os comandantes nazistas precisavam registrar tudo que acontecia em seus domínios, descobriram a profissão de Boix e o chamaram para “ajudar”. Não era bem uma ajuda, claro. Era uma obrigação. Eles pensavam que, ao fim da tarefa, bastava eliminar o sujeito para que não sobrasse qualquer testemunha viva das atrocidades cometidas por ali.

Portanto, Boix passou a registrar os horrores do campo de concentração, com os assassinatos sumários à sangue frio e na câmara de gás. Isso o afetou profundamente, mas pressionado pelos nazistas, ele continuou com seus registros. Quando ele descobre que os nazistas estão praticamente derrotados, Boix assume a missão de preservar os negativos que contém as provas dos crimes cometidos pelos generais de Hitler. Para isso, ele contará com a ajuda de outros prisioneiros, que arriscam a própria vida para manter os negativos a salvo.

Esta é uma história real. Parece fantasia, mas aconteceu. Boix foi o único espanhol a testemunhar no famoso Julgamento de Nuremberg, que sentenciou os sobreviventes do nazismo pelos crimes de guerra. O filme faz jus a sua trajetória.

 

“O Fotógrafo de Mauthausen” arranca lágrimas do público

O longa tem a capacidade de arrancar lágrimas do público. Lembrar de tempos horrorosos como foi o período nazista normalmente é chocante. “A Lista de Schindler”, “O Pianista” e outros clássicos já trataram de mostrar as histórias de sobreviventes. Agora, é a vez da trajetória de Boix ser retratada em um longa metragem.

“O Fotógrafo de Mauthausen” só consegue chegar a um grande nível por conta da atuação de Mario Casas. Ele interpreta Boix com enorme propriedade: ele era um homem determinado e corajoso, mas também muito espirituoso. Mesmo com todos os problemas passados no campo de concentração, ele nunca perdeu a fé. Além disso, ele também aproveitou a sua posição para registrar os assassinatos cometidos pelos nazistas. Isso se provaria importante, pois após a guerra muitas pessoas duvidavam da existência desses campos. Seu trabalho ajudou a elucidar esse momento terrível da História. Casas passa tudo isso em uma atuação brilhante.

Por fim, é bom destacar que “O Fotógrafo de Mauthausen” possui uma fotografia muito bonita. O granulado acinzentado remete mesmo à época em que o filme se passa. A edição também colabora bastante. Dessa forma, temos um longa “redondo”, que foca na história individual, ao mesmo tempo em que mostra o panorama geral dos campos de guerra. No entanto, quem conhece a história de Boix diz que o filme tem algumas liberdades narrativas. É normal. Em nada estraga a experiência e o choque de ver e entender o que aconteceu em Mauthausen. Certamente, filmes como esse fazem os negacionistas do Holocausto morderem a língua.

Luiz Henrique Oliveira
Nasceu no interior de São Paulo em 1986 e escreve sobre cinema em blogs desde 2004. Curte drama, comédia e ficção científica, mas ama mesmo O Poderoso Chefão. Tem interesse no mundo geek, em música brasileira e pode ser facilmente confundido com o Chico Bento pelas ruas da capital paulista.