RESENHA | "Kingsman: O Círculo Dourado" é um repeteco de porradaria com doses extras de comédia • MAZE // MTV Brasil
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RESENHA | “Kingsman: O Círculo Dourado” é um repeteco de porradaria com doses extras de comédia

Priscilla Avelino1108 views

Kingsman: O Círculo Dourado chega aos como um blockbuster super aguardado. Se na primeira experiência nos surpreendemos com desempenho inesperado de atores menos conhecidos, um vilão incrivelmente caricato, a coreografia das lutas e o enredo que nos desperta flashes de James Bond, aqui neste lançamento temos de volta todos os fundamentos que funcionaram para que o projeto tenha se tornado uma franquia de sucesso.

Logo nos primeiros momentos do filme somos postos a um teste emocional com uma perseguição de carros de tirar o folego, podemos sentir um pouco da pegada de ação que veremos ao longo da exibição, com lutas muito bem conduzidas, bem coreografadas, com slow motion certeiro em momentos estratégicos que consegue roubar da gente um gritinho de “woow!”. Podemos perceber logo que há um elemento de ativação emocional que casa muito bem com as cenas de ação: a sincronização de luta com música. Este artificio tem sido muito usado na produção de filmes ultimamente, estaria um pouco repetitivo, mas ainda é divertido de se ver.

Outro ponto bem bacana é a forma com que a direção do filme conduz as filmagens diante de tantas cenas agitadas. Aqui os cortes não parecem prejudicar o entendimento do que está acontecendo, pelo contrário. Vemos que o deslocamento de câmeras, o uso do slow motion e o foco são usados de forma harmoniosa e nos fazem entender com clareza a condução e o desfecho para onde a cena está nos levando. A música tema de Kingsman que embala as cenas de ação não se mostra icônica como a clássica de 007 de Monty Norman, mas também não deixa a desejar quando se faz presente neste contexto.

Puxando para o lado de conteúdo e interpretação, em “Kingsman: O Círculo Dourado” vemos uma trama interessante sendo apresentada sob a ótica da megalomaníaca Poppy (Julianne Moore). Aqui, Poppy tem desejos de expansão e reconhecimento sobre as movimentações de alto vulto que realiza na venda de drogas. Poppy é poderosa, sarcástica, tem visão empreendedora e estratégica, inclusive ao sequestrar nada menos que Elton John (!) que faz aqui uma participação bem divertida e caricata de sua própria personalidade. Temos neste núcleo uma entrega de personagens bem construída e hilária.

No núcleo central, temos Eggsy (Taron Egerton) e Merlin (Mark Strong) em parceria para tentar reerguer a Kingsman após um atentado sofrido. Eles partem em busca de investigar os culpados pelas atrocidades e salvar o planeta. Neste momento a solução apresentada pelo enredo é seguir uma pista que leva aos EUA onde poderão encontrar ajuda. É aqui que tudo começa a ficar meio “receita de bolo” como “uma solução que só poderia estar na América”. Somos apresentados a uma organização velha conhecida da Kingsman, com agentes de premissas, tecnologias e habilidades equivalentes. Com a perda do elenco britânico após o atentado de Londres, o resultado é apresentar uma nova equipe, que no caso é formada por Tequila (Channing Tatum), Whiskey (Pedro Pascal), Champagne (Jeff Bridges) e Ginger (Halle Berry). A apresentação dos novos personagens dispensa cerimonias e transborda risadas. Um adendo para Pedro, saudoso Oberin Martell de “Game of Thrones”, que está tão performático acrobaticamente aqui quanto no seriado da HBO que lhe rendeu fama mundial. Realmente é um time de peso que desempenha muito bem seu papel dentro do que se é esperado.

Apesar da necessidade de pessoal para dar seguimento a trama, pode-se perceber que a introdução de tantos personagens de peso soou um tanto exagerada e desnecessária já que o foco principal é na forma que Eggsy conseguirá resolver os problemas. Como uma estratégia de produção para dar escape rápido e prático na substituição do núcleo britânico que por sinal estava indo muito bem, resultando assim no sentimento de falta de inteligência/coerência nas estratégias de condução da trama. Outro ponto que senti ter pecado um pouco foi na linha narrativa que não se esforçou muito para entregar algo inovador como foi no primeiro longa. Aqui em “O Círculo Dourado” percebemos que houve a tentativa de se repetir tudo que deu certo anteriormente, inclusive revivendo personagem baleado (no crânio!). Ainda, a inclusão de doses ampliadas de comedia pode ter deixado entendimento de exagero cômico que tirou um pouco do ritmo e do brilho de um filme que poderia ser marcado por um equilíbrio inteligente.

Deslizes a parte, o saldo que Kingsman: O Círculo Dourado deixa é muito positivo e promissor para as próximas sequencias que vêm por aí. Sua estrutura embora inicialmente parecesse uma homenagem a James Bond, hoje se mostra muito mais como uma organização de super-heróis. O gosto que fica quando saímos da sessão não é de decepção, é otimista e satisfatório. A surpresa de introduzir uma nova ambientação com novos personagens dá a oportunidade de explorar melhor o universo além da organização Kingsman e deixa aberta a possibilidade de troca de experiências e união de forças em prol da paz mundial.