Resenha | Jumanji: Bem Vindo à Selva
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RESENHA | Com clima de Sessão da Tarde, “Jumanji: Bem Vindo à Selva” é uma agradável surpresa

Luiz Henrique Oliveira156 views

Pense rápido: quantas memórias cinematográficas afetivas foram destruídas por continuações e “prequels” lançados depois do filme original? Há uma infinidade de exemplos que podem demonstrar que quase sempre fazer uma regravação, continuação ou história de origem de algum filme querido pelo público é uma enorme roubada — na ampla maioria dos casos, não dá certo. Quando anunciaram que Jumanji, um dos maiores clássicos dos anos 90, teria uma continuação estrelada por The Rock e Jack Black e com a participação de Nick Jonas, todo mundo estava certo de que seria mais um caso para a estatística negativa. Para a surpresa geral, estávamos todos enganados.

A grande sacada

O mais legal desse Jumanji: Bem Vindo à Selva é que ele parece o original, tem o jeito do original, lembra muito o original, mas não é o original. Poucas coisas referem diretamente ao longa de 1996 (observe bem os easter eggs!), e isso é bom porque os produtores tiveram a oportunidade de atualizar o enredo: ao invés do jogo de tabuleiro, um jogo de videogame aos moldes dos cartuchos de Super Nintendo, Mega Drive e afins. Saudosismo puro para quem teve um console desses em casa.

E não é à toa que resolveram fazer essas mudanças. Mexer em algo tão vivo na memória afetiva do público requer muitos cuidados, que a maioria dos estúdios não tem. Por sorte, a Sony e os roteiristas Chris McKenna, Erik Sommers, Scott Rosemberg e Jeff Pinkner, baseados no livro de Chris Van Allsburg, fizeram um excelente trabalho expandindo e muito o mundo paralelo visto apenas de relance no filme anterior, mas sem mexer muito naquele que foi um dos trabalhos mais memoráveis do inesquecível Robin Williams.

 

A importância de um elenco afiado

Um enorme ponto positivo é o elenco, afiadíssimo. Dwayne Johnson, mais conhecido como The Rock, é um poço sem fim de carisma: pode ser um ator limitado, mas é impossível não gostar dele. Jack Black é outro que tem a oportunidade de exercitar sua veia cômica da melhor forma, entregando uma das atuações mais memoráveis de sua carreira. Ambos interpretam, juntamente com Kevin Hart e Karen Gillan — que estão no tom certo — os quatro avatares do video game Jumanji. Os adolescentes que “controlam” esses personagens dentro do game (Alex Wolff, Ser’Dalus Blain, Madison Iseman e Morgan Turner) estão bem corretos, não comprometendo a qualidade do longa, e dando espaço para os astros brilharem, tanto nas cenas de ação quanto nas de comédia.

Com uma participação pequena, porém importante, Nick Jonas demonstra que pode ser um ator qualificado. Sua participação no filme era esperada, e pode frustrar quem imaginava que ele teria grande espaço na tela. Entretanto, a história dá margem para que ele retorne em outras (prováveis) continuações. Por falar nisso, a história — que se concentra justamente nos quatro adolescentes bem diferentes entre si entrando sem querer no mundo de Jumanji e tendo de se virar para saírem vivos de lá — deixa mesmo essas brechas para que tudo seja mais explorado em outras produções. Com o sucesso que o filme vem fazendo nas bilheterias, isso é mais do que certo.

 

Um resultado acima da média

Com tudo isso, Jumanji: Bem Vindo à Selva tornou-se a primeira grande surpresa de 2018. Um filme que surpreende pelo visual apurado (os efeitos são sensacionais!), pelas atuações afiadas e com enorme química e por um respeito enorme ao livro no qual foi baseado e no longa que o precedeu. E todo o sucesso é merecido: o longa funciona tanto como comédia quanto como ação, divertindo e agitando o espectador.

Talvez nem mesmo a Sony esperasse tamanho sucesso, mas o fato é que o competente trabalho do diretor Jake Kasdan e do elenco fazem por merecer, além de mostrar para meio mundo que é possível sim fazer uma continuação sem desvirtuar o original, e assim manter a nossa memória afetiva intacta e pronta para desbravar mais aventuras.

Luiz Henrique Oliveira
Nasceu no interior de São Paulo em 1986 e escreve sobre cinema em blogs desde 2004. Curte drama, comédia e ficção científica, mas ama mesmo O Poderoso Chefão. Tem interesse no mundo geek, em música brasileira e pode ser facilmente confundido com o Chico Bento pelas ruas da capital paulista.