Resenha: "Joy - O Nome do Sucesso" • MAZE
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Resenha | “Joy: O Nome do Sucesso” é um filme de altos e baixos, como a trajetória de sua protagonista

Luiz Henrique Oliveira21256 views

Filmes de superação têm sido a tábua de salvação para a vertente do cinema hollywoodiano que quer fugir do esquema remake/adaptação de HQ/animação. Nos últimos anos, muitos exemplares vêm alcançando sucesso de crítica e relativo sucesso de público, dependendo de como o subgênero é abordado (vamos ter como exemplos os vitoriosos Gravidade, de Alfonso Cuarón, e Um Sonho Possível, de John Lee Hancock – ambos estrelados por Sandra Bullock). Dentro dessa onda, o diretor David O. Russell, responsável por longas como O Lado Bom da Vida e Trapaça, resolveu fazer o seu próprio feel good movie, que é este Joy – O Nome do Sucesso.

joy-nome-do-sucesso-poster-nacional-maze-blogInfelizmente, naquilo que o filme se propõe a ser, não foi assim tão bem-sucedido.

A história de vida de Joy Mangano, a moça pobre com família disfuncional que inventou um esfregão de algodão revolucionário e se tornou uma grande empresária, daria mesmo um belo filme de comédia dramática. E tinha tudo para ser grande: no papel principal está a queridinha do momento, Jennifer Lawrence, indicada ao Oscar de Melhor Atriz neste ano pelo trabalho apresentado aqui. Nos papéis secundários, estão nomes como Robert de Niro, Bradley Cooper, Virgina Madsen e Diane Ladd, atores experientes, premiados, reconhecidos e que em sua maioria já trabalharam com o diretor em outros filmes igualmente laureados. Mas então, o que foi que não deu tão certo?

Antes de qualquer coisa, se pode dizer que o filme não é ruim. Tecnicamente Joy – O Nome do Sucesso é impecável, tanto em sua direção de arte, que demonstram com competência a vida dura da protagonista em quartos apertados, porões escuros e longe de qualquer glamour, e também a trilha sonora, que pontua de forma bastante feliz as diversas passagens de sofrimento de Joy. As atuações, em especial a de Lawrence (leva o filme nas costas!) e de Robert De Niro (sua sensibilidade como o pai de Joy faz pensar que ele redescobriu o prazer em atuar, mesmo que ainda faça várias comédias bobas só pelo cachê) estão ótimas. A questão é: o roteiro.

Quem assiste Joy, apesar de se interessar fortemente pelos personagens, não consegue acompanhar direito o ritmo da narrativa por conta de furos na história, passagens com ida e volta no tempo que não são explicadas, narração que é deixada de lado no meio do filme. Toda essa confusão, apesar do esforço dos editores em dar um ritmo decente ao longa, compromete a experiência final. Fica uma sensação de coisa incompleta, apesar da excelência técnica e competência de David O. Russell na direção.

Apesar dos pesares, Joy – O Nome do Sucesso vale a pena pelo show de todos os atores em cena. É sempre um prazer ver novos nomes e veteranos atuando com vontade, se entregando aos seus papéis, passando a emoção necessária para a trajetória incomum de uma mulher que, contra todas as expectativas, conseguiu vencer.

Luiz Henrique Oliveira

Nasceu no interior de São Paulo em 1986 e escreve sobre cinema em blogs desde 2004. Curte drama, comédia e ficção científica, mas ama mesmo O Poderoso Chefão. Tem interesse no mundo geek, em música brasileira e pode ser facilmente confundido com o Chico Bento pelas ruas da capital paulista.