RESENHA | "Jogos Mortais: Jigsaw", o retorno não tão triunfante do carrasco • MAZE // MTV Brasil
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RESENHA | “Jogos Mortais: Jigsaw”, o retorno não tão triunfante do carrasco

João Batista497 views

Culpa, penitência, armadilhas, quebra-cabeças, sangue e reviravoltas. Todos estes elementos fizeram a franquia “Jogos Mortais” ressuscitar o gênero terror nos anos 2000, com a abertura pelo então promissor diretor James Wan, rendendo mais 6 filmes até o seu encerramento no ano de 2010. Para muitos fãs, o auge foi atingido nos três primeiros filmes, que encerra o arco de John Kramer, o Jigsaw, interpretado por Tobin Bell, mostrando suas motivações, armadilhas e finalmente morte de maneira bastante coesa e sólida. As sequências da franquia demonstraram um decaimento na qualidade bastante notável, porém alguns diriam que o encerramento apresentou até uma certa dignidade.

Logo, a questão que vem a nossa cabeça em “Jogos Mortais: Jigsaw”, que estreia no dia 30 de novembro, seria como dar prosseguimento a história com um vilão tão marcante já sabidamente morto e com um “fim” já concretizando anteriormente.

Na nova produção, corpos são encontrados pela cidade com mutilações e marcas bastante peculiares. Com o prosseguimento das investigações, as pistas apontam para o serial killer Jigsaw que está declarado morto há anos, gerando dúvidas e conflitos nos policiais encarregados do caso. Esse é o básico da trama que conduz a narrativa, que interpola os momentos policialescos com os aclamados “jogos” que contam com a presença do perturbador boneco que marca a identidade visual da série. E são nos enigmas e armadilhas que os fãs podem ficar despreocupados.

Os mecanismos que causam frio na espinha estão lá, promovendo aquela sensação que dá vontade forte de trincar os dentes, imaginando o provável desfecho de cada vítima. No primeiro momento, eles se apresentam simples se comparados com os demais dos outros filmes, porém o roteiro explica convicentemente o ponto. Neste aspecto o que enfraquece as cenas é a falta de uso dos efeitos práticos, exagerando na computação gráfica. Não é o suficiente para retirar a aflição característica de assistir ao estilo gore, porém fica sempre a piscar em nossa cabeça de que no fundo aquilo não é real, mas sem comprometer a diversão. A interação das vítimas também consegue manter a tensão alta, demonstrando um interessante desenvolvimento nos seus enlaces e é capaz de gerar simpatia e antipatia por determinadas personagens com bastante facilidade. Porém, a apresentação do background de cada uma falha em deixar claro como Jigsaw é capaz de conhecer o “pecado” de cada um, mesmo sendo histórias simples e sem profundidade.

O pecado de Michael e Peter Spierig, que dirigem a película é definitivamente a condução da trama, o que para uma grande parte dos fãs de “Saw” isso não seja nem um pouco motivo para confissões e torturas. O clima de suspense que perdura até o fim, culminando com a já aguardada reviravolta é suficientemente competente para manter o interesse do telespectador até o desfecho, mas as coincidências extremamente convenientes para o desenrolar dos fatos e investigações incomoda bastante, incluindo a pseudociência forense com seu tecno bla-bla que até para leigos soa artificial demais. As relações entre os médicos legistas e investigadores é tão estranha quanto ao acesso que cada um tem ao passado do outro e o desenrole disso até o fim deixa a sensação de que algo ainda está por vir nos próximos filmes.

Para uma retomada de franquia, “Jogos Mortais: Jigsaw” apresenta-se mais como um episódio piloto de uma série do que um retorno triunfal de um dos ícones do terror. Sabendo que a trama não é o foco para o seu público fiel, a diversão dos enigmas, torturas e sangue para os fãs continua garantida. Esse é o legado de “Saw”.

João Batista

Dono, idealizador e fundador do labirinto. Genioso, carioca que não sabe sambar e amante da cultura pop desde 1991.