RESENHA | "Jogador Nº 1" • MAZE // MTV Brasil
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RESENHA | “Jogador Nº 1” é muito mais que apenas referências

João Batista583 views

Músicas, personagens e referências. Muitas referências. A já bem estabelecida onda de revival e adoração aos anos 80 ganhou um representante de peso com a estreia de “Jogador N° 1”.

O filme é baseado no livro de Ernest Cline, que desde o seu lançamento já tinha se tornado um clássico na literatura nerd/geek, aclamado por fãs ansiosos por uma adaptação cinematográfica. Portanto, não seria tarefa para nenhum diretor realizar sem o grande risco de sofre com a ira dos fãs mais fervorosos. Quando foi anunciado que o responsável seria o inigualável Steven Spielberg muitos certamente ficaram aliviados, contudo a apreensão de alguns também foi notada.

Esta preocupação se justifica por algumas escolhas que o diretor fez nos últimos anos ao participar como produtor executivo de algumas obras bastante questionadas como “Transformers” e “O Bom Gigante Amigo”. Mesmo quando estava com as rédeas dos projetos, apesar de parecer impossível que entregue um resultado ruim, alguns como “Guerra dos Mundos” e “Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal” demonstraram que talvez Spielberg tivesse perdido a sua vitalidade. “The Post” e “Ponte dos Espiões” reafirmaram sua grandiosidade, mas ainda faltava aquela obra que pudéssemos falar: “Este é o Steven Spielberg que amamos!”.

Vitalidade é o que não falta em “Jogador N° 1”!

A trama acontece num futuro nada brilhante, no ano de 2044, onde a maioria das pessoas prefere passar grande parte do seu tempo dentro de OASIS, um jogo de realidade virtual, onde seu avatar pode ser absolutamente o que desejar. Wade Watts (Tye Sheridan) é um dos que fogem da dura vida, para mergulhar neste mundo de ilusão. Além dessa fuga, Wade está em busca do maior “easter eggs” de Oasis. Após a morte de seu criador James Halliday (Mark Rylance), os jogadores descobrem que precisam enfrentar desafios bem ao estilo das gincanas de caça ao tesouro. Três chaves precisam ser encontradas, sendo que cada uma delas está atrelada a uma charada e desafio que levará outra, até o grande prêmio final.

Acertadamente dinâmico e envolvente, as cenas de ação são extremamente imersivas. Algumas vezes levando até uma leve desorientação, mas nada que estrague a experiência. A alternância entre estes momentos e os com desenvolvimento de trama e personagens ocorre de forma natural, sem quebra de ritmo, mas com tempo suficiente para respirarmos e partimos para mais. Nem tudo se resolverá com lasers, socos e explosões. Os protagonistas por mais jovens que sejam, não são tratados como tolos pelo roteiro, dando o clima típico de aventura infanto-juvenil dos anos 80, onde tinham que resolver os problemas sem grandes interferências de adultos. Apesar disso, vários momentos apresentam-se expositivos e explicativos demais, no caso não respeitando muito a percepção de quem assiste.

Easter eggs por todos os lados!

Apesar disso, a diversão da história aliada a maravilhosa viagem visual faz com que esqueçamos de qualquer deslize do roteiro. Até mesmo porque o telespectador também está numa caça aos seus próprios “easter eggs”. Robocop, Batman, Hello Kitty, Tartarugas Ninja estão entre os mais fáceis de se recolher. Certamente muitos amigos assistirão mais de uma vez para uma competição de quem pegou. É claro que fica a questão de se isto não atrapalharia a trama, ou que o filme seria só referência atrás de referência. Definitivamente não! Ela é bem construída e sem arestas, funcionando tranquilamente para quem não está acostumado com um universo de games.

“Jogador N° 1” é uma grande ode à cultura pop, passando por games, quadrinhos, filmes e música. Um universo forjado a partir da década de 70, que recebe através de um dos seus maiores influenciadores e criadores, Steven Spielberg, uma belíssima homenagem. Um Spielberg que volta a emocionar, encantar e divertir, com bastante energia. Definitivamente, a obra e seu diretor se retroalimentaram desta energia, elevando ao patamar de novo clássico de aventura. Fãs e amantes de cultura pop aproveitarão e se esbanjarão nesta grande aventura que sabe respeitar o passado, explorando o que o futuro pode oferecer.

Contribuição: Guilherme Lourenço
João Batista
Dono, idealizador e fundador do labirinto. Genioso, carioca que não sabe sambar e amante da cultura pop desde 1991.