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RESENHA | “It – A Coisa” é um terror de respeito, o melhor do ano até agora

Luiz Henrique Oliveira1 comment1805 views

Se você não esteve em alguma galáxia muito, muito distante nos últimos vinte e tantos anos, você deve conhecer Pennywise. Se não pelo gigante livro escrito pelo mestre Stephen King — que, aliás, é uma obra-prima — você o conhece pela interpretação marcante que o célebre Tim Curry fez em 1990 na minissérie americana It, que aqui no Brasil virou filme de três horas com um subtítulo mais do que merecido: Uma Obra-Prima do Medo.

Conforme o tempo foi passando, a história das crianças que enfrentam o palhaço maligno ganhou status de cult, mas parecia faltar alguma coisa: a produção cinematográfica definitiva da história. Por melhor que tenha sido a minissérie e a atuação de Curry, a produção televisiva estadunidense no começo da década de 90 era sofrível, ao menos no que diz respeito a qualidade técnica. Os fãs da história pediram, suplicaram, imploraram por um longa que atualizasse o enredo e desse imagens tão poderosas quanto aquelas vistas antes na literatura e na televisão. Finalmente, a Warner Bros. atendeu os apelos — e entregou It: A Coisa, o melhor filme de terror de 2017.

As comparações são inevitáveis

Por mais que as pessoas queiram fazer comparações (afinal, pelo menos duas gerações cresceram com a minissérie na cabeça), as duas obras são completamente diferentes em formato e execução. O diretor Andrés Muchietti, que já tinha alguma experiência com o gênero por ter sido o responsável por “Mama”, retirou as chamadas “barrigadas” da história e que muito atrapalhavam o andamento da produção de 1990. Mérito também dos roteiristas Chase Palmer, Cary Fukunaga e Gary Dauberman, que conseguiram condensar boa parte da história em pouco mais de duas horas, apresentando as personagens principais e estabelecendo o horror que elas precisam enfrentar logo nos primeiros minutos.

Mas é lógico que o principal ponto de comparação está entre Tim CurryBill Skarsgård, intérpretes de Pennywise na primeira e segunda versão, respectivamente. Enquanto o primeiro apostava no humor negro e na ironia, o segundo se finca na versão malvada full-time: com pouco humor, mas muito terror. O palhaço interpretado por Skarsgård possui até um visual muito mais assustador, naquele que é um belíssimo trabalho de maquiagem, um dos melhores vistos no ano. E com poucas falas ele já se impõe como uma ameaça. Um exemplo é a clássica cena em que ele se encontra com Georgie, um dos meninos que moram na cidadezinha do Maine. Seu sorriso e maneirismos são absolutamente impactantes, mais até do que Tim Curry conseguiu na minissérie. Esse, por si só, é um dos grandes acertos do filme.

Um terror de respeito

A história dos garotos do Maine que descobrem a ameaça secular que sequestra e mata crianças e que precisam se unir para vencê-lo aparece muito bem contada não só no que diz respeito a sua parte assustadora. “It: A Coisa” também é um bom filme por ter seus lados dramáticos: as crianças são praticamente desajustados sociais, que sofrem com abandono da família, da falta de amigos, de inadequação na sociedade, de preconceitos diversos. Esse grupo improvável acaba se aliando no “Clube dos Perdedores” para derrotar Pennywise, e o drama de cada um é mostrado de forma sensível, mesmo que o longa não dê muito espaço para desenvolver esse lado tão bem demonstrado no livro de King.

Porém, é evidente que os produtores se esforçaram para criar um terror de respeito, um filme que não faz (tantas) concessões ao que é moda no gênero hoje – como o susto fácil, simples e esquecível. É notável o esforço de criar uma obra que fique marcada na cabeça dos espectadores, tal qual a produção de 1990. Felizmente consegue.

E vem mais por aí

Por se tratar de um livro realmente enorme – quem já leu ou passou em livrarias e viu o tamanho do camalhaço que poderia matar uma pessoa se arremessado na cabeça na velocidade certa – é claro que toda a história não caberia em um só filme. Desde março de 2017, a segunda parte vem sendo gravada, e para evitar spoilers não iremos contar onde está o ponto de virada entre um filme e outro.

De qualquer forma, It – A Coisa funciona muito bem como filme-solo, e só por fugir dos maneirismos atuais de um gênero já tão cansado e batido como o terror vale o ingresso. Como se não bastasse, a produção é bem dirigida, bem executada pelos seus atores e traz de volta um velho conhecido, repaginado e ainda mais assustador.

Luiz Henrique Oliveira
Nasceu no interior de São Paulo em 1986 e escreve sobre cinema em blogs desde 2004. Curte drama, comédia e ficção científica, mas ama mesmo O Poderoso Chefão. Tem interesse no mundo geek, em música brasileira e pode ser facilmente confundido com o Chico Bento pelas ruas da capital paulista.
  • Fabiana Barbosa

    tou doida pra ver esse filme, está com uma cara boa