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Resenha | “Invocação do Mal 2” consegue se igualar seu antecessor

Luiz Henrique Oliveira3750 views

Não faz muito tempo que James Wan, diretor do primeiro Invocação do Mal e um dos melhores realizadores desse gênero nos últimos anos, fez a promessa de não mais trabalhar com filmes de terror. Se ele tivesse cumprido o que prometeu, seria mesmo uma pena. Seu talento, evidenciado em longas como Jogos Mortais – o primeiro, idealizado por ele – e até mesmo Velozes e Furiosos 7, seria desperdiçado em filmes comerciais (no mau sentido) e/ou banais como os que Hollywood gosta de lançar a cada semana.

Pois é. Ainda bem que ele desistiu.

Pode-se dizer isso de boca cheia ao assistir Invocação do Mal 2, seu novo filme baseado nos relatos do casal Warren, que destrinchou mais de dez mil casos sobrenaturais ao longo de várias décadas. O filme é tão interessante que chega a rivalizar, em qualidade e estilo, o primeiro da série, que é cultuado até hoje como uma das grandes amostrar de que o gênero de terror não morreu – estava só esperando alguém com qualidade técnica para ressuscitá-lo.

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O que é mostrado nesse segundo filme é o famoso caso do Poltergeist de Enfield: os Warren (Vera Farmiga e Patrick Wilson) precisa lidar com um espírito que está possuindo Janet Hodgson (Madison Wolfe), uma das quatro filhas de Peggy (Frances O’ Connor) – que é mãe solteira e cria as filhas em uma casa pobre, caindo aos pedaços. Todo o caso foi noticiado pelo noticiário nacional e caiu em descrédito, considerado uma enganação de pessoas desesperadas para chamar a atenção da mídia. Entretanto, Ed e Lorraine consideram, com sua experiência, que algo de estranho realmente ronda Janet, e partem para investigar o caso.

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Madison Wolfe em cena de “Invocação do Mal 2”. (Warner)

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Há cenas em Invocação do Mal 2 que rivalizam, em matéria de construção de tensão e sustos, com os melhores exemplares do gênero. Prova da capacidade, tanto da dupla Farmiga/Wilson, que reprisam seus personagens com propriedade como se tivessem gravado este filme logo após o primeiro, quanto a interessante capacidade de James Wan de montar as cenas sem pressa, sem os cortes exageradamente clipados que os “filmes-de-terror-para-adolescentes” parece exigir nos anos atuais. Tudo é feito de forma lenta e inspirada, causando não só o susto feito para o espectador pular na cadeira, mas para sair do cinema com as imagens presas no inconsciente, levando a experiência do filme para fora das salas, na melhor herança de clássicos como O Iluminado.

Vera Farmiga em cena de "Invocação do Mal 2". (Warner)
Vera Farmiga em cena de “Invocação do Mal 2”. (Warner)

Apesar de uma falta de ritmo no terceiro ato, provavelmente por cortes necessários para encaixar o filme dentro de uma duração que fosse aceita tanto pelos exibidores quanto pelo público (coisa de duas horas, em média), Invocação do Mal 2 tem um saldo extremamente positivo, pois prova que o gênero está bem vivo, honrando o passado enquanto se atualiza para levantar o interesse de uma nova geração que parecia não se assustar com nada.

Só parecia. Devemos agradecer a James Wan.

Luiz Henrique Oliveira
Nasceu no interior de São Paulo em 1986 e escreve sobre cinema em blogs desde 2004. Curte drama, comédia e ficção científica, mas ama mesmo O Poderoso Chefão. Tem interesse no mundo geek, em música brasileira e pode ser facilmente confundido com o Chico Bento pelas ruas da capital paulista.