RESENHA | "Han Solo: Uma História Star Wars" • MAZE // MTV Brasil
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RESENHA | “Han Solo: Uma História Star Wars”

João Batista344 views

Muitas vezes em nossas vidas, escutamos lendas, histórias ou um singelo causo que nos ajudam a construir uma imagem do passado quase mítico de uma personalidade. Ficamos pensando como determinado fato realmente se desencadeou, sem os exageros de quem conta o acontecimento, e temendo que a versão possa ser muito maior e melhor que a realidade. Este é um dos pontos que geraram certa desconfiança após o anúncio da Disney de produzir um filme contando o passado de Han Solo, um dos mais queridos personagens da saga Star Wars. Isto aliado as notícias de uma produção conturbada com trocas de diretores, demissão de editor e rumores de que a atuação de Alden Ehrenreich, escolhido para viver o protagonista, estaria péssima ao ponto de necessitar de um professor de atuação no set, fizeram as sobrancelhas dos fãs arquearem mais do que de Lando no cartaz.

Em “Han Solo: Uma História Star Wars”, vemos como o contrabandista conseguiu a famosa nave Millenium Falcon, conheceu seu copiloto peludo, Chewbacca e onde começa a conturbada relação com Lando Calrissian, vivido pelo comentadíssimo Donald Glover. Todos estes fatos relatados na saga original, fizeram com imaginássemos acontecimentos grandiosos, que pareciam ser frutos de engendrado por uma complexa trama, proveniente do submundo da galáxia. Em parte, isso é verdade, por outro lado nem tanto.

O tom adotado pelo diretor Ron Howard diminui em muito a grandiloquência dos outros filmes da franquia, o que parece ser o objetivo quando se dá o título de “uma história”. Contudo, em se tratando de Han Solo, o sujeito que atravessou a rota de Kessel Run em menos de 12 ou 20 parsecs (carece de fontes, rs), isso pode jogar contra. Os caminhos escolhidos por Howard e o experiente roteirista Lawrence Kasdan não permitem uma conexão emocional com os personagens mais profunda, principalmente por levar a crer a todo momento que se trata de um filme de assalto, onde as consequências não reverberariam sobre o Império. Certamente o elenco não contribui para essa falta de conexão, sendo um dos pontos fortes do projeto.

A começar pelo próprio Alden Ehrenreich, que interpreta com competência o carismático contrabandista, trazendo alguns trejeitos de Harrison Ford, como o meio sorriso sarcástico e a maneira com que aponta para os demais durante um diálogo, sem parecer uma imitação caricata, mas não chega a colocar sua própria marca. Apesar disso, esta versão de Solo é bem diferente do original, enfraquecendo o sentido de se contar esta história. Emilia Clarke parece ter dado um passo à frente e entrega com mais solidez sua personagem do que suas atuações na série “Game of Thrones. O sempre bem Woody Harrelson e Donald Glover apresentam o encanto necessário, apesar do roteiro não contribuir para uma maior consistência.

Nem tudo está perdido!

Apesar disso, este filme de origem está longe de ser ruim. O ritmo se apresenta bastante consistente, dando tempo para que após cada sequência de fuga ou cena de ação, o telespectador possa respirar e pensar sobre o próximo passo. Os atos estão bem equilibrados, dando espeço para que até mesmo uma reviravolta final não seja corrida. Outro aspecto interessante foi a possibilidade de retratar como as pessoas daquela galáxia vivem sob o julgo do Império e que outras organizações se aproveitam de seu tamanho gigantesco para explorar quem vive a margem, inclusive abrindo portas que podem ser exploradas futuramente, até mesmo com a aparição surpreendente de um antigo personagem.

Com tanta expectativa criada, pelo simples fato de ser Star Wars, pelos percalços no caminho, “Han Solo” acaba encantando pelo seu tom aventuresco, embalado pela bela trilha sonora, apesar de não fazer jus as lendas imaginadas nas cabeças do fãs mais aficionados, cumprindo bem o papel de ser mais uma história que permeia o tronco principal da franquia, complementando o seu universo.

Colaboração: Guilherme Lourenço

João Batista
Dono, idealizador e fundador do labirinto. Genioso, carioca que não sabe sambar e amante da cultura pop desde 1991.