RESENHA | "Fifth Harmony" é o álbum mais coeso e R&B do grupo • MAZE // MTV Brasil
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RESENHA | “Fifth Harmony” é o álbum mais coeso e R&B do grupo

Fábio Sina3241 views

O cenário pop muitas vezes pode ser cruel, e é preciso estar a todo momento provando coisas para outras pessoas. Depois que o Fifth Harmony perdeu Camila Cabello, era necessário calar a boca de quem dizia que a cubana era o que mantinha a banda fazendo sucesso. Além de Ally Brooke, Dinah Jane, Lauren Jauregui e Normani Kordei terem que provar pra elas mesmas que conseguiam seguir com o grupo. Foram momentos sombrios para as, agora mulheres, que foram juntas na versão americana do programa X Factor quando eram apenas adolescentes com um sonho, em 2012.

Dois álbuns de estúdio lançados, dois super hits, mais alguns que não paravam de tocar nas rádios, fãs pelo mundo todo, além de serem uma das girlbands mais premiadas da história da música. Tudo isso conquistado numa carreira de apenas 5 anos. Era ingênuo de nossa parte achar que o Fifth Harmony terminaria depois da partida de Cabello. As 4 garotas entraram em estúdio com um time de peso e sangue nos olhos. Era hora de fazer acontecer. Com um novo contrato e liberdade criativa, elas podiam finalmente fazer aquilo que sempre quiseram. A gente conseguia notar de forma clara o quão felizes e orgulhosas Ally, Dinah, Lauren e Normani estavam durante o processo de criação do álbum “Fifth Harmony”, o terceiro trabalho de estúdio da girlband.

Confira agora a nossa resenha faixa-à-faixa do álbum:

Down (ft. Gucci Mane)

O álbum começa com o lead single da nova era. “Down” com certeza divide opiniões desde o seu lançamento. Para muitos é só uma tentativa de repetir o feito de “Work From Home”, enquanto para outros é uma música boa. Na verdade o único feat do “Fifth Harmony” é uma boa canção pop, que se tocar na balada todo mundo dança. Para o propósito de “algo novo e original”, falha bastante. É uma boa abertura para a coletânea, mas poderia ter sido retirada de fininho que ninguém ia perceber também.

He Like That

Com sua sonoridade sensual, baixos e guitarras, e letra chiclete, o atual single do 5H é um belo aspirante ao posto de novo hit do grupo. O videoclipe impressionou com o visual até então inédito na carreira das quatro garotas, e um belo show de danças e coreografias, o que ainda não vimos nas poucas performances ao vivo. Porém essa não é a melhor canção do álbum, existem algumas que seriam melhores singles.

Sauced Up

“Sauced Up” deve ser o terceiro single da era autointitulada, e realmente é uma canção de muito potencial. A faixa tem uma vibe incrível dos hits R&B que faziam sucesso no final dos anos 90. O refrão é chiclete, como um bom hit deve ser, e os vocais aqui alcançam um novo nível. É incrível ver o quão complementares as 4 vozes ficaram nesse novo trabalho do grupo. E é nessa faixa que começamos a ver melhor isso acontecendo. As harmonias, as divisões, as notas altas, tudo é muito redondinho. Não menos importante, a letra fala sobre empoderamento feminino e a permissão de que as mulheres possam cantar sobre serem sensuais e voz de comando em uma relação. A GENTE AMOU SIM!

Make You Mad

Quando “Make You Mad” começa com os vocais de Normani Kordei quase sussurrados a gente acha que essa será a primeira balada do álbum, mas nos enganamos feio. A faixa vai crescendo aos poucos e mostrando o seu poder. Os sintetizadores aqui criam uma atmosfera sonoramente incrível. É o tipo de música que a gente coloca no fone e aprecia cada “barulhinho” com muito prazer. Quando a faixa termina de forma quase abrupta, a gente entende melhor as frases do refrão: “I’m gonna make you miss me, I’m gonna make you go mad. I’m gonna make sure I’m the best you ever had…”

Deliver

“Deliver” é uma das faixas mais caracteristicamente R&B do álbum, soa como os hits emplacados por Mariah Carey em sua época de ouro. Os vocais aqui estão mais altos e fazem um lindo coral no refrão. A música é com certeza muito nostálgica e ao mesmo tempo muito atual. Podia ser um daqueles hits espontâneos sem muita dificuldade, e é uma das nossas preferidas da coletânea. A faixa recebeu um clipe a sua altura que traduz muito bem a sonoridade que entrega.

Lonely Night

Abre espaço pra entrar a melhor faixa em disparada do “Fifth Harmony”. Com sua pegada veranesca, um refrão bem próximo do reggae, “Lonely Night” seria um hit do verão daqueles. A liderança de Dinah Jane foi uma tacada certíssima na faixa, e mais do que merecida, já que o conceito da produção e a letra foram escritos por ela juntamente com Normani Kordei. Essa música é sem dúvidas uma das preferidas dos fãs, e dos famosos também, como a cantora Bebe Rexha que deixou claro sua preferência e de quanto deseja ver “Lonely Night” como single. Se esse pedido não for atendido até o fim dessa era, a gente vai ficar bem chateado.

Don’t Say You Love Me

Preparem os lencinhos que chegou a hora de chorar. “Don’t Say You Love Me” é um desabafo daqueles, facilmente relacionável, e de uma grande honestidade e força. A base da canção é preenchida principalmente por um violão, o que nos faz esperar uma versão acústica pra acabar com a gente de vez. Os vocais vão do suave as notas agressivas de Lauren Jauregui no último refrão. A faixa tem recebido uma ótima aceitação por parte do público, e chegou a dar as caras nas paradas do Spotify mundial. Com certeza está no nosso “top 3 melhores músicas do álbum”. Fifth Harmony demonstra aqui sua versatilidade, e que podem entregar hits dançantes da mesma forma que ótimas baladas.

Angel

“Angel” é com certeza a maior surpresa de Ally, Dinah, Lauren e Normani para os harmonizers. A faixa é um R&B/trap de muito respeito, produzido por Skrillex e Poo Bear. Suas batidas são viciantes e não te deixam ficar parado por muito tempo. Os vocais entregam força e muita atitude, o que traz aquele gás de autoconfiança que só músicas muito boas dão. Você ouve e sente vontade de sensualizar, desfilar, andar por aí se achando a pessoa mais foda do mundo. É tudo praticamente um rap, tirando o refrão viciante/desafiador. A canção foi liberada como buzz single algum tempo antes do lançamento oficial do álbum, e a gente realmente não entendeu porque esse não foi o lead single dessa era. É com certeza a produção mais original, atual e com cara de Fifth Harmony da coletânea. Amém “Angel”!

Messy

Mais uma baladinha, pois nem só de rala cu viverá o homem. Em “Messy” as meninas do 5H cantam mais suavemente, numa batida que nos envolve e dá aquele quentinho no coração. É uma canção bem vulnerável, pois elas cantam sobre como podem ser “confusas” algumas vezes, e tudo bem, ninguém é perfeito mesmo. É importante que canções como essa façam parte da cultura pop, que muitas vezes é saturada por tanto poder e independência. Podemos e devemos ser poderosos, donos das nossas escolhas, independentes e etc, mas é importante ressaltar que a vida não é um mar de rosas e momentos de fraqueza existem. Fifth Harmony possui uma base de fãs com muitos adolescentes e jovens adultos, logo espalhar essa verdade é de extrema importância. E a gente quer versão acústica de “Messy” simmm!

Bridges

“Bridges” é o pop with purpose do autointitulado, e fecha o álbum muito bem. A faixa é uma crítica aos recentes acontecimentos pelo mundo, tão repleto de preconceitos e divisões. A situação piora quando falamos dos Estados Unidos que elegeram um presidente que é publicamente preconceituoso, xenofóbico, homofóbico entre tantas outras coisas ruins. A linha “we build bridges not walls” é uma referência direta ao muro que Donald Trump disse que iria construir na fronteira com o México para impedir a entrada de imigrantes no país. Não é novidade que as meninas do 5H, principalmente Lauren, fazem total oposição ao problemático Presidente, e aqui está a resposta delas. “Bridges” segue a sonoridade R&B da coletânea, e é uma canção que merece atenção e reconhecimento pela mensagem que traz.

***

Sem dúvidas um dos álbuns mais coesos sonoramente do grupo, o “Fifth Harmony” passa por todas as vertentes do R&B, entregando um trabalho maduro com gostinho de “quero mais”. Nem tão cedo elas vão lançar um material novo, já que ainda há muito pra ser trabalhado nessa era, mas é inegável a nossa ansiedade para ver/ouvir o que vem a seguir. Infelizmente, não tem agradado muito os charts, mas de vez em quando a gente não quer ligar pros charts… A gente só quer ouvir um ábum bom, com músicas boas, letras que signifiquem muito, ou nada também, além de uma entrega vocal excelente. Se restavam dúvidas se o Fifth Harmony poderia continuar sem Camila Cabello, acreditamos que elas foram sanadas.

Ouça o álbum “Fifth Harmony” no Spotify:

 

Fábio Sina

Estudante de Jornalismo por conveniência e artista de alma e coração. O carinha das divas teens e o taurino desse labirinto.