RESENHA | "Detetive Pikachu" agrada tanto os fãs de Pokémon quanto os iniciantes • MAZE // MTV Brasil
FilmesResenhas

RESENHA | “Detetive Pikachu” agrada tanto os fãs de Pokémon quanto os iniciantes

Luiz Henrique Oliveira1216 views
RESENHA | "Detetive Pikachu" tem o poder de agradar tanto os fãs de Pokémon quanto os iniciantes

“Detetive Pikachu”, o filme, parecia má ideia desde o começo. Muita gente achava que a ideia da Warner Bros. em adaptar o joguinho do Nintendo 3DS ao invés do cânone clássico não iria dar certo. A desculpa era de que o anime é mais popular. Dessa forma, o estúdio resolveu bancar o risco e levar adiante a produção. Devem estar rindo à toa: o longa saiu melhor que a encomenda.

Por outro lado, há algo que pode atrapalhar a experiência de quem assiste: o excesso de didatismo. Sempre tem alguém para “narrar” o que já estamos vendo na tela. Seja o Pikachu, seja algum dos personagens humanos: alguém vai mastigar a história para você. Isso é algo que pode incomodar fortemente os adultos; as crianças não vão dar a mínima e se divertir com um show de cores, formas e luzes proporcionados pelo filme.

 

A mastigada história de “Detetive Pikachu” 

RESENHA | "Detetive Pikachu" tem o poder de agradar tanto os fãs de Pokémon quanto os iniciantesO roteiro de “Detetive Pikachu”, escrito por Dan Hernandez, Benji Samit, Derek Connolly e Rob Letterman (sendo este último o diretor do longa) é formatado para ser o mais simples possível, ainda que tentando dar uma complexidade à trama. Tudo começa quando Tim Goodman (Justice Smith) recebe a notícia da morte de seu pai, Harry. O homem era detetive em Ryme City e tinha um Pikachu (Ryan Reynolds) como companheiro. Apesar de não ter muito contato com seu pai, ele vai até a cidade para arrumar o apartamento dele, até que é surpreendido pelo Pokémon de seu pai, que era dado como morto. Tim compreende o que Pikachu diz, e os dois partem em uma jornada para descobrir o que realmente aconteceu com Harry – trama que pode envolver o fundador de Ryme City e seu filho.

A história é formatada nos clássicos três atos: o primeiro apresenta, o segundo desenvolve e o terceiro entrega o clímax. Nos primeiros minutos já ficamos sabendo de tudo que precisamos para acompanhar a aventura: quem é Tim, por que ele não fala com seu pai, o acidente que ele sofreu e a relação com Pikachu. Tudo isso não leva mais do que 15 minutos, o que nos dá uma hora de deleite para aproveitar a excelente direção de arte e efeitos visuais. Os Pokémons podem desagradar os mais puristas, fãs de primeira hora. No entanto, pouco tempo o estranhamento passa. A diversão passa a ser reconhecer todos os monstrinhos, que povoam a tela o tempo inteiro.

 

Por que o filme é bom?

“Detetive Pikachu” tem seus maiores méritos na simpatia que os personagens transmitem. Praticamente todos os Pokémons são maravilhosamente retratados e encantam logo de cara. E não há qualquer dúvida de que a alma de Pikachu foi ditada por seu dublador na versão original, Ryan Reynolds. Dessa forma, vemos no monstrinho amarelo e fofo uma extensão dos trejeitos e do humor do ator. E isso não é, de forma alguma, um ponto negativo. É de se lamentar, porém, que a maioria das cópias no Brasil sejam dubladas. Isso nos impede de aproveitar as tiradas (algumas de duplo sentido, voltadas para os adultos) no idioma original.

Justice Smith também dá conta do recado. Em todas as cenas ele transmite bem os sentimentos de confusão e admiração pelos Pokémons – na história, ele tinha o sonho de se tornar treinador Pokémon, mas se frustrou. À medida que se aproxima de Pikachu, ele vai quebrando essa resistência. Tudo isso é passado com segurança pelo ator.

Em resumo: “Detetive Pikachu” é um filme que, apesar de ser melhor apreciado por quem já acompanha as aventuras com os Pokémons, ele também funciona para quem é iniciante. Considerando que tinha tudo para ser “filme de nicho”, já nasce um sucesso. O longa tem seus erros (como já explicamos). No entanto, não é nada que atrapalhe a diversão. Adultos e crianças vão se entreter durante a projeção. Dessa forma, é impossível não gostar do filme. Ainda mais com bichinhos tão fofos e irresistíveis.

Veja a crítica completa em vídeo abaixo:

Luiz Henrique Oliveira
Nasceu no interior de São Paulo em 1986 e escreve sobre cinema em blogs desde 2004. Curte drama, comédia e ficção científica, mas ama mesmo O Poderoso Chefão. Tem interesse no mundo geek, em música brasileira e pode ser facilmente confundido com o Chico Bento pelas ruas da capital paulista.