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RESENHA | “Aves de Rapina” é um “Esquadrão Suicida” melhorado

Luiz Henrique Oliveira597 views
RESENHA | "Aves de Rapina" é um "Esquadrão Suicida" melhorado

Muita gente não botava fé que Aves de Rapina seria um bom filme. Depois dos sucessos que a DC teve no cinema com Shazam! e principalmente Coringa, a aposta em um filme liderado por mulheres parecia um risco enorme, dado a quantidade de pessoas que achavam que esse tema não deveria ser abordado em longas de ação.

No entanto, Margot Robbie, intérprete de Arlequina, comprou a briga. Produziu e protagonizou Aves de Rapina com um elenco majoritariamente feminino, além de ter uma diretora no comando e uma roteirista conduzindo a história. Quem apostou contra, apostou errado: o filme é, para usar uma expressão do subtítulo, “fantabuloso”.

A história começa quando Cassandra Cain (Ella Jay Basco), uma ladra de 11 anos de idade, rouba “sem querer” um diamante valiosíssimo que contém a chave para acessar uma fortuna.

Roman Sionis (Ewan McGregor), uma espécie de mafioso que comanda o submundo de Gothan, é quem persegue a joia, e fará de tudo para que ela caia em suas mãos. Acontece que Cassandra tem seu caminho cruzado com Arlequina (Margot Robbie), que resolve protegê-la – mesmo que os motivos para isso não sejam muito nobres.

Aos poucos, outros personagens vão sendo apresentados: a detetive Renee Montoya (Rosie Perez), que resolve crimes para a polícia de Gothan cujos créditos acabam caindo para seu chefe. Dinah Lance (Jurnee Smollett-Bell), que canta no clube de Roman e tem uma voz tão poderosa quanto suas habilidades em luta. Helena Bertinelli (Mary Elizabeth Winstead), que tem um passado sangrento e procura vingança.

Todas elas tem um motivo para querer deter Roman (conhecido como Máscara Negra).

Veja a crítica em vídeo, produzida pelo Canal Cinco Tons:

 

“Aves de Rapina” é consistente e divertido

O roteiro de Christina Hodson usa e abusa dos flashbacks para contar essa história, mas nunca faz o espectador se sentir perdido. A narração, capitaneada por Arlequina, constantemente quebra a quarta parede e nos faz de cúmplices das situações. Além disso, seu design visual na hora de apresentar os personagens remete a “Esquadrão Suicida” (2016), só que melhorado. Há, inclusive, muitos easter eggs que lembram o fracassado filme, mas no geral, ignora sua existência: e esse é o primeiro ponto positivo de Aves de Rapina.

O segundo está na direção de Cathy Yan, que acerta em cheio na mistura de humor e violência. As sequências de ação não são clipadas como vários filmes do gênero, que de tantos cortes fazem com que a gente se perca no espaço onde tudo acontece. Ela tem o domínio da cena e consegue entregar um trabalho consistente e divertido.

O terceiro ponto, como não poderia deixar de ser, está nas atuações. O elenco foi escalado com primor, e cada personagem tem seu momento de importância, não deixando ninguém de enfeite.

Até mesmo o personagem masculino principal, feito por McGregor, tem uma função específica não só na trama, mas para uma mensagem a quem assiste. Seus tiques de homem “macho”, “viril”, escondem uma personalidade frágil, que precisa se afirmar o tempo inteiro – e o ator passa isso muito bem.

 

Mensagem recebida

O filme, no entanto, é de Robbie. Ela arrasa como Harley Quinn e mostra porque, aos 29 anos, é uma das atrizes mais disputadas de Hollywood. A partir de agora será impossível dissociar a Arlequina de sua persona, assim como acontece com vários atores (um exemplo é Slyvester Stallone: quem imagina outra pessoa fazendo Rambo?).

Além do mais, sua garra em produzir um filme para a personagem que fugisse da sexualização e objetificação vistas na sua aparição anterior praticamente ressignifica a Arlequina, abrindo espaço para que ela protagonize outras histórias sem precisar apelar aos vestidos curtos que faziam a festa do público masculino.

Aliás, é esse é o grande ponto de Aves de Rapina: ele mostra a importância das mulheres, que quase sempre tem seus destinos atrelados a homens, mas que podem muito bem ser independentes e não depender deles para nada.

O filme tem, sim, toques feministas, mas nada panfletário: a mensagem é colocada no roteiro de forma sutil e orgânica. Com isso todos ganham: a DC tem uma fantástica franquia para desenvolver; as atrizes ganharam espaço que poderiam não ter em outros filmes do gênero; e o público, que pode curtir uma história bacana, recheada de ação, mas que não esquece de dizer a que veio.

Luiz Henrique Oliveira
Nasceu no interior de São Paulo em 1986 e escreve sobre cinema em blogs desde 2004. Curte drama, comédia e ficção científica, mas ama mesmo O Poderoso Chefão. Tem interesse no mundo geek, em música brasileira e pode ser facilmente confundido com o Chico Bento pelas ruas da capital paulista.