RESENHA | "Annabelle 2: A Criação do Mal" é um terror genérico, porém melhor que o primeiro • MAZE // MTV Brasil
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RESENHA | “Annabelle 2: A Criação do Mal” é um terror genérico, porém melhor que o primeiro

Luiz Henrique Oliveira2611 views

Não é preciso contextualizar ninguém: todo mundo que vai ao cinema hoje em dia conhece “Invocação do Mal“, longa dirigido pelo – agora – cultuado James Wan e que deu início a uma franquia altamente rentável com filmes competentes, que misturam a velha escola do “filme de terror com sustos” com a nova moda do “terror sugerido“, ou seja, quando a ambientação e o clima dão mais calafrios no espectador do que o próprio motivo do horror a ser mostrado. O filme de 2013 que abriu essa nova safra trouxe ao conhecimento geral um objeto que acabou, por assim dizer, roubando a cena: a boneca Annabelle, que pouco tempo depois ganhou um filme-solo francamente horroroso (e não no bom sentido). Mas a Warner quis tentar de novo e encomendou “Annabelle 2: A Criação do Mal“, que acabou dando em uma notícia boa e outra ruim: a boa é que a nova produção é melhor que a primeira; a ruim é que isso não quer dizer muita coisa.

Aqui, a direção foi entregue a David F. Sandberg, que dirigiu o ótimo “Quando as Luzes se Apagam“. Entretanto, não adianta colocar um bom diretor com um roteiro que beira o ridículo. Gary Dauberman – o homem que escreveu este filme – é o mesmo que criou a história de “Annabelle“, de tão triste memória. Neste novo trabalho houve uma melhora na estrutura da história, que não soa mais como um amontoado de cenas aleatórias sem nenhum tipo de conexão, mas ainda há problemas, que no fim das contas acabam tirando o foco de quem assiste.

Em “A Criação do Mal” somos apresentados ao criador da boneca, que perdeu sua filha de forma trágica alguns anos antes. Depois da tragédia ele resolve transformar a casa em uma espécie de abrigo para crianças órfãs, como forma de suprir essa ausência. Com isso, surgem algumas crianças e uma freira – é claro – que passam a notar que algo estranho acontece no quarto intocado da menina falecida. E é a partir disso que se forma o terror, com as hóspedes tendo que se virar para se livrar da assombração que encarna na assustadora boneca.

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Como se vê, “Annabelle 2” é um apanhado de clichês. E isso não significa que clichês não sejam bons, desde que bem organizados e trabalhados para se tornar uma obra consistente. O longa investe demais em esquemas muito batidos, com o qual o espectador já está acostumado (por exemplo: usar a trilha sonora para criar uma tensão crescente, e no segundo anterior ao susto, a música para – quando isso acontece, todo mundo já está sabendo o que está por vir, o que tira a força da cena; ou a edição, que realiza cortes e jogos de câmera para “revelar” fantasmas da mesma forma que quase todos os filmes anteriores). Mas, em comparação ao primeiro filme, é uma clara evolução: Sandberg é um diretor competente, que sabe criar uma ambientação assustadora em pequenos cenários como a casa da família da menina morta, que é um belo exemplo de uma direção de arte com suas paredes escuras, brinquedos antiquados e todos os outros objetos de cena que fazem despertar os sentimentos mais amedrontadores.

É realmente uma pena que “Annabelle 2” tenha se rendido tanto ao que há de mais surrado no gênero para tentar criar um filme de terror dito moderno. A junção do modelo antigo com a nova onda de filmes de terror, que dá tão certo em “Invocação do Mal” aqui simplesmente funciona até certo ponto; depois, fica fácil adivinhar o que vai acontecer. E nada é pior para um filme desse gênero do que a pessoa que o assiste saber exatamente o que vem a seguir. E isso é um risco muito alto: se James Wan e a Warner tem a pretensão de criar seu próprio Universo Cinematográfico de terror, é preciso melhorar urgentemente, sob risco do público se cansar das fórmulas genéricas que determinam o fracasso de tantas produções que prometiam tanto.

(OBS: o filme traz um easter egg sobre qual será o próximo filme da franquia. Um doce para quem adivinhar qual é.)

Luiz Henrique Oliveira
Nasceu no interior de São Paulo em 1986 e escreve sobre cinema em blogs desde 2004. Curte drama, comédia e ficção científica, mas ama mesmo O Poderoso Chefão. Tem interesse no mundo geek, em música brasileira e pode ser facilmente confundido com o Chico Bento pelas ruas da capital paulista.