Precisamos falar sobre o papel da crítica e a moda de não gostar do que todo mundo aprova • MAZE // MTV Brasil
EditoriaisPosts

Precisamos falar sobre o papel da crítica e a moda de não gostar do que todo mundo aprova

Victor Cavalcanti1125 views

Em uma era de redes sociais e opiniões cada vez mais concretas na juventude, de que serve um meio de comunicação dizendo o que é bom e o que não é? Talvez poucos de nós realmente tenha entendido o papel da crítica na sua forma real. O pior? Grandes meios não entenderam.

A crítica, em seu papel mais óbvio e primordial deveria nortear o possível espectador ou consumidor em relação a obra. Esse norteio deveria ser principalmente de termos técnicos e afinidade que cada público possa, possivelmente, ter pela obra proposta.

Vamos colocar um exemplo para entender. Fizemos a resenha do suspense “Vida”, filme esse que beira ao terror, com conteúdo muito tenso e muito sangue. Provavelmente quem só gosta de um bom mistério e não se dá bem com cenas sangrentas não vai gostar da produção. Como crítica, pontuamos tudo isso. Significa que um filme sangrento é ruim? Não. Significa que todo filme de suspense deve ter sangue? Também não. “Vida” é incrível para que ama esse gênero mais tenso — como o que vos fala, mas não são todos que vão gostar.

>> Resenha | “Vida”
Ryan Reynolds no suspense “Vida”.

Ao ler uma crítica, por mais que seja sim passada a posição do crítico, afinal somos humanos e, ao analisar algo, sempre vamos usar nossa bagagem, a ideia central do texto/vídeo deve ser o de entregar informações para nortear o possível expectador, sem entregar a obra de fato.

Sempre que falarmos de forma coloquial e simples, vamos pender um pouco para a nossa opinião. E claro que isso não está errado, principalmente por termos meios de comunicação cada vez mais próximos do espectador, e essa mensagem ser cada vez menos séria e mais solta, como conversar com um conhecido mesmo.

O grande problema tem sido a preocupação de ser contrário em tudo, independente do que for. Pessoas e meios que norteiam sua opinião na contra-onda, mesmo que seja uma onda positiva para mudanças positivas. A vontade de encontrar erros e defeito ficou bem maior que assistir um filme ou ouvir um álbum e gostar dele independente de quem esteja apreciando.

NÃO, ninguém deve te dizer o que você deve gostar, nem mesmo a crítica. Você assiste, você decide. Você pode gostar sim de “Esquadrão Suicida”. Você pagou o ingresso, você assistiu, você pode formar sua posição. Com ou sem crítica lida. O mundo todo pode gostar de Beyoncé, Adele, Michael Jackson e The Beatles e você tem todo o direito de não gostar, e tens até mesmo a liberdade de dizer “não gosto mesmo”.

>> Resenha | “Esquadrão Suicida”

Você não deve gostar do que todo mundo gosta. Somos todo livres e a liberdade de expressão não é um ponto em questão desse texto, ok? O grande ponto aqui é o respeito pelas obras, coisa que vem faltando da crítica e até mesmo do público. O direito de não gostar de qualquer obra, não dá o direito de difamar, menosprezar, ou acusar de desleixo, de irresponsável qualquer artista ou obra. A crítica tem o dever de acusar homofobia, sexisismo, machismo, mas tudo de forma responsável, pensada e bem analisada, não apenas meias palavras para ter um título diferente, chamar a atenção e “bombar” na internet.

Pra finalizar, uma dica sobre dar opiniões: sem brigas! Precisamos de paz em tempos sombrios como os de hoje, e brigar com alguém por causa de álbum, single, filme ou série é inútil. Seja humorado, não leve um post do facebook tão a sério, retruque o humor com mais humor, e se ficar tenso, marca um café e conversa direito, que acha?

Victor Cavalcanti
Comunicador formado pela Universidade Metodista, narcisista desde os 15 anos, artista desde sempre. O resto tu descobre por aí.