Motivos para LER a trilogia "Jogos Vorazes" • MAZE // MTV Brasil
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Motivos para LER a trilogia “Jogos Vorazes”

Sarah Lenievna788 views

Contém Spoilers!

Trilogias e sagas moram no coração de todos nós. Ainda mais quando há nelas uma personagem forte e determinada em quem a gente possa se inspirar. Cinquenta Tons de Cinza é legal, mas Anastasia Steele não é o tipo de garota que a gente diga “Nossa, quero ser como ela quando eu crescer!”, até porque quem lê a trilogia de E. L. James já está bem crescido… Ok, queremos um cara gato como o Christian! Mas só isso. Crepúsculo foi a sensação literária por uns bons 4 anos. Quem não leu, com certeza viu os filmes, mesmo que tenha sido na Tela Quente, 2 anos depois da estreia nos cinemas. A Bella era legal, o tipo de garota com quem dá pra se identificar por não fazer o gênero “perfeitinha”. E só. De uma passividade épica, esperava pelo príncipe encantado para ser salva, tentando até mesmo o suicídio por não conseguir viver sem o cara.

Eis que, no ano em que o mundo não acabou, lançam Jogos Vorazes, com até então a não-oscarizada Jennifer Lawrence (rainha desde sempre!) no papel principal. O filme foi baseado no 1° livro da série escrita pela americana Suzanne Collins. Finalmente alguém tinha decidido fazer um filme sobre alguém inspirador, fictício, mas ao mesmo tempo tão real (as metáforas com a nossa sociedade atual são inúmeras) que me fez pensar: “Garotas de 14, 15 anos têm que ler isso!”. Lá fui eu então, com meus 19, ler também.

Os filmes são extremamente fiéis aos livros. Em teoria, você não está perdendo nada em termos de enredo, ao deixar de ler os livros. Em teoria. Mas está perdendo em termos de sensações e descrições, algo que só os livros podem proporcionar. Os livros te põem na Arena, junto com a Katniss, e fazem você pensar “Que diabos eu faria no lugar dela?” ou”Será que eu sobreviveria à Arena?” Vamos às motivações para você ler cada um deles:

Jogos Vorazes
“I volunteer!” – um dia ainda grito isso no meio de uma multidão, só pra causar!

“Levar as crianças de nossos distritos, forçá-las a se matar umas às outras enquanto nós assistimos pela televisão.”

jogos-vorazes-logo-maze-blogO 1° livro da série talvez seja o mais denso em termos de ação, e o mais rico na hora de mostrar a dureza da vida do povo do 12° Distrito. Katniss é o retrato da força de um povo oprimido e sem esperanças, mas ao mesmo tempo um garota tímida e inexperiente, do tipo que tem problemas com nudez ou beijos em público (quem nunca?).

O livro mostra a evolução de Katniss na arte da dissimulação, algo que não fica tão explícito no filme, porque só assim ela conseguirá salvar aqueles que ama, mesmo que para isso tenha que fingir um romance com um cara até pouco tempo insignificante pra ela. Sim, insignificante. Leia e perceba que a Katniss, até um determinado momento, só queria salvar a pele e voltar pra casa. Só que nesse meio tempo, a garota percebe que se unir ao “garoto do pão” só tratá benefícios. O que nos leva ao 2° livro…

Em Chamas

“…para que os rebeldes não se esqueçam de que até mesmo o mais forte dentre eles não pode superar o poder da Capital…”

em-chamas-logo-maze-blogNo 2° livro, Katniss e Petta, bem como uma dupla vencedora de cada distrito, voltam à Arena, para o Massacre Quaternário. Além de uma série de novas personagens, entre eles Finnick ( <3 ), a série ganha um novo teor: uma combinação de ação + sobrevivência + política. O último dos quesitos sempre esteve pairando sobre a série, mas só ganha força ao final do 2° livro, e, definitivamente, no 3°.

A novidade, algo que não aparece com tanta evidência no filme, são os pensamentos de Katniss, como que a parceria dela com Peeta deixa de ser uma completa simulação, e ganha uma certa verdade. Até que ponto você mataria para salvar uma pessoa? Até que ponto você poria sua própria vida em risco por alguém?

A Esperança

“Meu nome é Katniss Everdeen. Tenho dezessete anos. Meu lar é o Distrito 12. Eu participei dos Jogos Vorazes. Eu escapei. A Capital me odeia. Peeta foi levado prisioneiro. Ele está vivo. Ele é um traidor, mas está vivo. Eu preciso mantê-lo vivo…”

a-esperanca-logo-maze-blogNo 3° e último livro da saga, revela-se a existência do 13° Distrito, o das armas nucleares que acreditava-se estar extinto há décadas. Uma rebelião, iniciada durante o período do Massacre Quatenário toma força e se expande por toda Panem, com foco em único fim: a queda do Presidente Snow e de toda a cúpula que vivia às custas dos distritos mais pobres, em busca de uma sociedade mais igualitária (comunismo x capitalismo?). À partir daí, a obra passa a ser quase que inteiramente política, sem perder o quê de romance (a busca por Peeta) e as doses de afeto (a preocupação com irmã, amigos e conhecidos). Num dado momento, percebe-se que a ideia é improvável. Não exatamente a queda do Presidente Snow, mas o desejo de uma sociedade sem a existência de um poder centralizado. E Katniss é uma das primeiras a perceber isso, enquanto que os outros permanecem cegos frente o discurso promissor e inspirador das forças responsáveis pela rebelião.

Isso só mostra como Katniss é a personagem mais fascinante da trama, pois é através do seus olhar aguçado e pensamento crítico que ela mais uma vez, ao final do livro, após perdas e desilusões, muda o curso da história. O final fica aberto à interpretações, com poucos detalhes sobre como o novo poder da Capital se instaurou, sobre se, de fato, um NOVO poder foi instaurado, distante de atos cruéis e de vidas pautadas pela aparência. O jogo, como um todo, terminou de fato?

“Mas o pensamento em prol do coletivo normalmente possui vida curta. Somos seres volúveis e idiotas, com uma péssima capacidade para lembrar das coisas e com uma enorme volúpia pela autodestruição”

Talvez não. Mas, como diz o ditado, a Esperança é a última que morre. Não à toa, esse é o título do último livro. Às vezes é necessário repassar os atos de bondade já vistos por cada um de nós, assim como Katniss, para continuar acreditando nas pessoas e não perder totalmente a fé no mundo.

“Mas há jogos muito piores do que esse.”

Sarah Lenievna
Amante de rock, cinema e futebol.