A potente e energética volta de Green Day ao Brasil com a "Revolution Radio Tour" • MAZE // MTV Brasil
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A potente e energética volta de Green Day ao Brasil com a “Revolution Radio Tour”

João Batista581 views
Contribuição: Guilherme Lourenço

Explosões, gritos, baladas, solo de bateria e chamas. Muitas chamas! Após sete anos, o Green Day retornou ao Rio de Janeiro para entregar aos fãs um show completo de rock.  A apresentação foi repleta de hits de todas as fases da banda e com espaço garantido para canções do último álbum, “Revolution Radio”, que dá nome à tour.

Antes de entrarem, numa arena ainda com muitos lugares vazios, a abertura ficou por conta do The Interrupters, que agradou a quem chegou cedo com seu ska punk californiano bem sincero. A maior parte do público parecia ainda estar presa ao trânsito invariavelmente caótico em véspera de feriado na capital carioca, mas já era possível observar que ele era composto por faixas etárias diferentes. De crianças acompanhadas por pais e adolescentes, demonstrando uma renovação significativa, a trintões que seguem a banda desde os anos 90, impulsionados pelos clipes irreverentes na MTV.

Com a casa mais cheia, os versos de “Bohemian Rhapsody” cantada em coro e “Blitzkrieg Bop” emoldurando um coelho rosa dançando bizarramente já anunciavam que o objetivo maior era divertir e interagir com a plateia.

Com acordes e gritos altíssimos, a primeira música “Know Your Enemy” deixou claro que Billie Joe, com 45 anos, tornou-se um showman extremamente carismático e experiente, sabendo conquistar a simpatia de até mesmo quem estava lá para acompanhar os filhos, chamando logo de cara um fã para cantar no palco com o grupo. Mais tarde o momento se repetiria, agora com uma menina, que além de subir e abraçar os ídolos, ganhou uma guitarra como “lembrancinha” do instante tão especial. Na sequência, “Bang Bang” e “Revolution Song”, mantêm o pique mesmo sendo músicas recentes e o público seguiu cantando em alto brado.

Foto: Tuiki Borges

Uma turnê que tem em seu título a palavra revolução, não poderia deixar de ter um breve discurso um pouco mais político, exatamente antes de “Holiday”, que inaugura o desfile de grandes hits da noite, culminando com a balada já clássica “Boulevard of Broken Dreams”.

A energia aumenta quando os fãs “old scholl” são convocados e o álbum “Dookie” começa a dar as caras no show. Ao som de “Longview”, as primeiras rodas de pogo vão tomando proporções maiores, compostas por não por adolescentes em fúria, mas por jovens “meninos” beirando a idade do vocalista, que em nada perdem em empolgação para os da puberdade. “When I Come Around”, “Welcome to Paradise”, “Basket Case” e “She” elevaram a temperatura da arena com o auxílio das chamas e explosões no palco que não cessavam em momento algum, tornado este o melhor momento do show.

Como um time com a partida ganha, o conjunto começa a jogar mais ainda com a galera. Uma espécie de carnaval “à la gringa” é iniciado com os componentes da banda e músicos de apoio se fantasiando, com direito a plumas de barracão de escola de samba, emendando o ska de “King for a Day” com uma palinha de “Garota de Ipanema” no saxofone. Teve português, bandeira do Brasil e mais fãs… Clichê? Sim! Ruim? Não mesmo. O público fica com a sensação de recompensa o tempo todo, mesmo após umas versões não ortodoxas de “Satisfaction” e “Hey Jude”, que parece esfriar um pouco.

O bis traz novamente os hits dos anos 2000, com “American Idiot” e “Jesus of Suburbia”, já em clima de despedida apoteótica, que acontece de maneira acústica, com Billie Joe sozinho no palco com violão, emendando “21 Guns” em “Good Ridance”, cantando a plenos pulmões pela arena.

Sem dúvida, Green Day com seus anos de estrada se permanece atual e relevante, mostrando que entendeu que nos novos tempos a experiência com o fã e o contato próximo valem muito mais do que a antiga postura de rockstar inalcançável.

***

Setlist
Green Day: Revolution Radio Tour (Rio de Janeiro)

‘Know Your Enemy’
‘Bang Bang’
‘Revolution Radio’
‘Holiday’
‘Letterbomb’
‘Boulevard of Broken Dreams’
‘Longview’
‘Youngblood’
‘2000 Light Years Away’
‘Hitchin’ a Ride’
‘When I Come Around’
‘Welcome to Paradise’
‘Minority’
‘Are We the Waiting’
‘St. Jimmy’
‘Knowledge’
‘Basket Case’
‘She’
‘King for a Day’
‘Shout / Always Look on the Bright Side of Life / (I Can’t Get No) Satisfaction / Hey Jude’
‘Still Breathing’
‘Forever Now’
‘American Idiot’
‘Jesus of Suburbia’
’21 Guns’
‘Good Riddance (Time of Your Life)’

João Batista
Dono, idealizador e fundador do labirinto. Genioso, carioca que não sabe sambar e amante da cultura pop desde 1991.