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ESTREIA NETFLIX | “Outra Vida”, da Netflix, é outra ficção científica que decepciona

Luiz Henrique Oliveira6231 views
ESTREIA NETFLIX | "Outra Vida", da Netflix, é outra ficção científica que decepciona

Se há um problema em “Outra Vida”, série que a Netflix estreia nesta quinta (25/07), é o amadorismo de sua produção. Dessa forma, fica quase impossível defendê-la.

A ficção científica, criada por Aaron Martin (o mesmo de “Slasher”), conta uma história que pode soar conhecida. Um belo dia, uma nave alienígena pousa no planeta Terra. Não há aviso ou mensagem anterior à chegada deles por aqui. Com isso, a humanidade se pergunta qual é a verdadeira intenção da visita extraterrestre.

Por conta desse evento, acompanhamos a história de um casal, Niko e Erik, dois cientistas que precisam desvendar o que realmente está acontecendo. Enquanto ela embarca em uma missão no espaço profundo, ele fica na Terra tentando descobrir os segredos da nave pousada. A esperança é fazer contato com os alienígenas.

Como você deve ter percebido, a série mistura vários elementos de ficções científicas conhecidas. No começo, ela lembra “A Chegada”, novo-clássico de Denis Villeneuve. Depois, incorpora elementos de “Star Trek”, “Aliens” e outros filmes com a mesma pegada.

Dessa forma, a lógica fica evidente: emular cenas e plots conhecidos para cativar o público. Até daria certo, não fosse uma produção pobre em quase todos os aspectos.

 

Produção pobre coloca “Outra Vida” a perder

O que mais incomoda é a produção ínfima em “Outra Vida”. A começar pelas atuações: Katee Sackhoff, de Battlestar Galactica, até começa bem. No entanto, em poucos episódios ela se torna caricata e apela para caras e bocas. Justin Chatwin, de Guerra dos Mundos, erra pelo outro lado: não tem expressão alguma. A sua atuação é pobre em camadas, mesmo com a enorme missão de tentar fazer contato com os extraterrestres.

Em seguida, é preciso destacar a pobreza dos efeitos visuais. A série peca em quase tudo nesse sentido. A nave que pousa na Terra tem uma aparência moderna, mas parece muito falsa. A nossa suspeição de descrença – quando mergulhamos nas narrativas e esquecemos que tudo é feito no computador, é quebrada. No momento em que enxergamos a nave, percebemos que ela é fruto de CGI. Um péssimo CGI.

 

Pouco se salva

Salva-se apenas os efeitos visuais em cenas noturnas (que naturalmente são melhores mesmo) e a direção de arte. A reprodução da nave espacial que leva Niko ao espaço e o interior labiríntico da nave que Erik enfrenta funcionam bem. Pena que é muito pouco para uma produção que se propõe deixar o espectador na beira da cadeira.

O roteiro bagunçado de “Outra Vida” também frustra. Na tentativa de misturar as narrativas e nos deixar tenso, acaba mais confundindo do que explicando. Dessa forma, ao terminarmos a série de episódios, até temos curiosidade em como a história pode continuar – no entanto, dez minutos depois ela se torna irrelevante.

Com tudo isso, “Outra Vida” pode até divertir e entreter algumas pessoas que exigem pouco. Por outro lado, qualquer pessoa com um senso crítico mais apurado vai reclamar – e com razão. A produção deixa a desejar, bem como em praticamente todos os aspectos artísticos e técnicos. Não vale a pena.

Luiz Henrique Oliveira
Nasceu no interior de São Paulo em 1986 e escreve sobre cinema em blogs desde 2004. Curte drama, comédia e ficção científica, mas ama mesmo O Poderoso Chefão. Tem interesse no mundo geek, em música brasileira e pode ser facilmente confundido com o Chico Bento pelas ruas da capital paulista.