ESTREIA NETFLIX | "Black Mirror: Bandersnatch" revoluciona a forma de contar histórias • MAZE // MTV Brasil
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ESTREIA NETFLIX | “Black Mirror: Bandersnatch” revoluciona a forma de contar histórias

Luiz Henrique Oliveira949 views

Black Mirror: Bandersnatch” transforma o espectador no senhor do destino dos personagens da produção. Apenas por isso, já valeria a pena assistir – ou seria melhor dizer, participar? – dessa jornada. O que o produtor Charlie Brooker oferece aqui é uma nova visão sobre como as produções em série podem evoluir.

Isso tudo sem perder o foco naquilo que “Black Mirror” ofereceu de melhor nos últimos anos: histórias tensas, densas e arrebatadoras.

Não é à toa que “Black Mirror: Bandersnatch” chegou recheado de mistério. Tudo nessa antologia tem esse ar soturno, com poucas informações. Consequentemente, o público acaba se chocando ao assistir seus episódios. Dessa forma, mantém a produção em evidência, e ainda traz histórias sensacionais que deixam o espectador de cabelo em pé. Entretanto, o que foi proposto nesse evento lançado no finzinho de dezembro na Netflix é algo revolucionário.

Mas antes disso, é preciso pensar na história. E ela, sozinha, já seria capaz de prender a nossa atenção.

 

Loucura surrealista

Em “Black Mirror: Bandersnatch”, nós somos transportados para os anos 80. Um jovem e genial programador precisa transpor a história de um livro misterioso (e considerado um dos melhores já escritos) para um jogo de video-game. Apesar de ser fã da história e do autor, ele simplesmente não sabe como fazer isso. Dessa forma, acaba tendo a ajuda de um outro programador (igualmente genial), que o convence a expandir a mente usando LSD. A partir daí, temos uma história que brinca com metalinguagem, com a nossa percepção de realidade e finalmente, coloca o destino dessas pessoas em nossas mãos.

É impossível, portanto, resenhar “Black Mirror: Bandersnatch” com fidelidade. Isso porque a história é diferente para cada pessoa, que depende de suas escolhas para continuar a narrativa. Isso dá um poder inédito a quem assiste, já que a sorte ou a desgraça dessas pessoas depende de como você, que assiste a série, deseja. Essa experiência foi testada em programas infantis da Netflix anteriormente, apenas para saber como funcionaria em uma série adulta. Agora, sabemos que funciona quase perfeitamente.

 

“Black Mirror: Bandersnatch”  é a revolução narrativa

E o “quase” aqui é porque a história, apesar de excelente em sua escrita e direção, tem alguns defeitos narrativos clássicos. Coisas que, aqueles que já acompanham “Black Mirror” acaba se acostumando: situações sem explicação, coisas que não fazem sentido com o que foi mostrado anteriormente e acabam não batendo, etc. Entretanto, por conta da originalidade da forma com que “Black Mirror: Bandersnatch” se apresenta, são coisas que praticamente ninguém vai se importar. Brincar de ser deus, aqui, é muito mais divertido do que apontar as falhas.

Em resumo, “Black Mirror: Bandersnatch” é uma produção única até o momento. A série idealizada por Charlie Brooker atinge novos horizontes aqui. De agora em diante, o céu é o limite. E não só para “Black Mirror”, evidentemente. A concorrência, percebendo o sucesso dessa empreitada, pode copiar. Neste caso, não será nada ruim. Estamos vendo a evolução narrativa acontecer. Estamos fazendo parte da História.

O nosso canal parceiro, o Cinco Tons, fez um vídeo completo com a opinião sobre esse episódio de “Black Mirror” e também lista três bons motivos para assisti-lo. Veja:

Luiz Henrique Oliveira
Nasceu no interior de São Paulo em 1986 e escreve sobre cinema em blogs desde 2004. Curte drama, comédia e ficção científica, mas ama mesmo O Poderoso Chefão. Tem interesse no mundo geek, em música brasileira e pode ser facilmente confundido com o Chico Bento pelas ruas da capital paulista.