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ESTREIA NETFLIX | Apesar de clichê, “Alguém Especial” se conecta com o espectador

Luiz Henrique Oliveira906 views
Apesar de clichê, "Alguém Especial" se conecta com o espectador - Foto: Reprodução/Netflix

“Alguém Especial” é um filme feito para millenials. A Netflix tem investido em produções que tenham esse viés, tentando se conectar ao zeitgeist do momento. Em alguns casos tem tido sucesso, em outros nem tanto. Neste filme o resultado está em um meio termo: não é uma obra de arte, mas também não é um longa ruim.

A história de “Alguém Especial” fala de Jenny (Gina Rodriguez), uma aspirante a jornalista que consegue, depois de muita insistência, o emprego dos sonhos em San Francisco. Acontece que ela mora em Nova York, e tem um namorado há nove anos que não deseja se mudar. Por conta disso, ela acaba escolhendo terminar com ele. Com o coração partido, Jenny chama suas amigas (DeWanda Wise e Brittany Snow) para uma última noite de diversão na cidade. Com isso, ela pretende se despedir da cidade, das amigas e também tentar superar a desilusão amorosa, causada pela escolha que precisou tomar.

É claro que a noite será recheada de aventuras. Jenny passa por diversas situações com suas amigas, e encontra até mesmo uma espécie de traficante vidente (RuPaul Charles), que a aconselha. Dessa forma, “Alguém Especial” é mais do que uma comédia em sua essência: é também um filme que fala sobre buscas. No caso, buscar a atitude certa a tomar; buscar a felicidade; buscar as melhores decisões para a vida. Assuntos muito caros aos millenials.

 

“Alguém Especial” é um clichê divertido

Apesar de clichê, "Alguém Especial" se conecta com o espectador - Foto: Reprodução/NetflixO roteiro de “Alguém Especial” é clichê e previsível a partir da sua metade, mas ainda assim vale a pena assistir. Isso porque a mistura de carisma das atrizes se mistura a diálogos rápidos e divertidos. Por conta disso, esquecemos as falhas. Terminamos por gostar – e até mesmo torcer – por Jenny.

Isso só é possível por conta das atrizes principais do longa. Em especial, é preciso destacar Gina Rodriguez. A atriz, mais conhecida por seus trabalhos em séries de TV, tem um desempenho formidável. Ela é quem passa todo o carisma para sua personagem, fazendo com que nós, espectadores, passemos a acompanhar sua história com interesse. Dessa forma, o filme ganha muito com sua presença.

Por outro lado, Wise e Snow fazem excelente contraponto à personagem principal. Em muitas cenas, elas acabam roubando a cena, bem como também servem como excelente “escada” para Rodriguez. Elas levantam a bola para ela cortar, como se diz na expressão popular. Assim como RuPaul, que aparece pouco, mas tem uma personalidade capaz de carregar qualquer personagem. Se sai bem nos poucos minutos de tela que tem disponível, ainda que não passe de uma participação especial.

Tendo, portanto, atrizes com timing cômico em dia, e uma história agridoce para contar, “Alguém Especial” encanta – mesmo que a gente saiba como essa história acaba. Dessa forma, ficamos presos a essa narrativa. No fim das contas, é como dizem: o importante é jornada, e não o fim dela.

Luiz Henrique Oliveira
Nasceu no interior de São Paulo em 1986 e escreve sobre cinema em blogs desde 2004. Curte drama, comédia e ficção científica, mas ama mesmo O Poderoso Chefão. Tem interesse no mundo geek, em música brasileira e pode ser facilmente confundido com o Chico Bento pelas ruas da capital paulista.