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Editorial: Em defesa daquilo que ainda não foi visto

Sarah Lenievna7 comments2963 views

“Confirmado: Ben Affleck será o próximo Batman nos cinemas!”, “Jamie Dornan dará vida ao bilionário Christian Grey, da franquia Cinquenta Tons de Cinza”, “Jared Leto interpretará o célebre personagem Coringa, no filme Esquadrão Suicida”…

Esses são apenas alguns dos anúncios mais recentes, envolvendo o mundo do cinema americano. Escolhas realizadas após o aval de grandes produtoras de filmes, testes de elenco, discussões com agentes, etc. Escolher o protagonista de um grande blockbuster não deve ser tarefa fácil. Principalmente quando este Blockbuster tem como fonte uma obra literária. Não serão só os fãs e os não fãs de um determinado ator ou atriz escolhidos que irão se rebelar. Uma horda de dedicados leitores virão com seus livros em punho pra dar sua opinião também. Ou com seus gibis.


Tenho que confessar: não sou leitora de HQs de super-heróis. Prefiro Turma da Mônica. Mas atualmente é quase impossível fugir do alcance que os grandes lançamentos americanos têm, o que hoje em dia, basicamente, gira em torno de super-heróis prontos pra salvar o planeta. Logo, posso afirmar que conheço mais ou menos bem todos os personagens. Já assisti Os Vingadores, Capitão América, todos os filmes da franquia X-Men etc, etc, etc. Ah, e os inúmeros filmes do Batman também, da era pré-Heath Ledger até a atual. Pronto! Cheguei aonde eu queria.

Com exceção do Mr. Grey citado acima, os outros dois exemplos vivem em ambientes muito próximos. Trata-se de ninguém menos que o super-herói mascarado de Gotham City e seu arqui-rival, o sádico, manipulador e irônico Coringa. Jack Nicholson imortalizou o personagem com sua atuação no nem tão distante ano de 1989. Depois vieram mais duas sequências, sem a presença do Coringa, que encerraram a primeira trilogia do super-herói, dirigida por Tim Burton. Análises à parte, desses filmes eu gostava mesmo era do Pinguim (Danny deVito).

Depois veio o famigerado Batman & Robin, de 1997, com George Clooney e Chris O’Donnell nos papéis principais, respectivamente. Não teve nem sequência.

Em 2005, iniciou-se a era Christopher Nolan, a mais elogiada até então. Ótima direção, ótimos atores, efeitos especiais do século XXI, enfim, tudo pra da certo. Christian Bale como Cavaleiro das Trevas reinou. Mas perdeu (e muito) espaço na sequência que viria. E a culpa é exclusiva de Heath Ledger.

Batman: O Caveleiro das Trevas (The Dark Knight), de 2008, marca o único filme de Heath Ledger no papel de Coringa (o ator morreu no mesmo ano de lançamento). Ledger improvisou, explodiu hospital, fez a própria maquiagem (muito mais borrada e assustadora que a de Nicholson, aliás) e ganhou um Oscar póstumo pela sua interpretação. Lembro de ter alugado o DVD na época só por causa dele. E de repetir as cenas em que ele aparecia, porque eram as mais interessantes, do ponto de vista estético e teatral. O cara foi foda.

“Mas gente? Qual a finalidade desse post enorme, moça?”

Ok, vamos lá. Tudo isso pra dizer que não há limites para a Arte. Heath Ledger, quase 20 anos depois de Nicholson, reinventou completamente a figura do Coringa. Na minha humilde opinião, complexificou o personagem de uma forma muito mais profunda. Foi autoral, teatral, adorável, tétrico, tudo ao mesmo tempo. Vai de cada um, mas não consigo sentir a mesma empatia pelo Coringa de Nicholson. Atentem para o “20 anos depois”, quando todo mundo pensava que Nicholson seria o único Coringa da face da Terra, lá num canto, congelado pra sempre. Aí aparece o Heath e destroí tudo (no bom sentido).

E agora aparece o Jared Leto. Foi só divulgarem uma imagem do cara, já caracterizado pro papel, que a internet caiu. Foram críticas e saudações de todos os lados. “Mas gente? Coringa é o Heath, vai ser sempre ele, muito melhor!” “Ridículo, parece o Marilyn Manson” “Esse cara se reinventa sempre, vai ser foda!” e tantas outras.

A maioria não quer nem se dar ao trabalho de dar o benefício da dúvida. Já sai jogando no ar (no caso, na rede) suas opiniões, diga-se de passagem, sem nenhuma base. Sim, sem nenhuma base, porque tudo que foi liberado até agora foi uma mísera foto. À la editorial. Sequer um teaser, um trailer. Nada. A única e exclusiva base das críticas é feita através da comparação. Comparação entre um histórico de 2 filmes (se levarmos em consideração apenas as produções em que aparecem o Coringa) e uma foto. Chega a ser bizarro.

Aqueles que não curtiram muito a escolha, aguardem mais um pouco. O cara pode surpreender. O novo filme – Esquadrão Suicida – tem uma nova roupagem, mais caricata. Sai Batman, entra Arlequina, Rick Flag, Capitão Boomerangue e Magia, personagens pouco conhecidos do grande público (não leitores de HQs). Pode ser bom, pode ser ruim, não importa. Espere pra ver, antes de lotar a internet com mensagens de revolta e opiniões sem fundamento. Uma foto é muito pouco pra tudo isso.

Lembro-me que quando Heath Ledger foi escolhido para o papel, aconteceu a mesma coisa…

Sarah Lenievna
Amante de rock, cinema e futebol.