Review: "Ultraviolence", o novo e excelente álbum da Lana Del Rey • MAZE // MTV Brasil
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Review: “Ultraviolence”, o novo e excelente álbum da Lana Del Rey

Leonardo Drozino4578 views
o que esperar de ultraviolence novo album da lana del rey

Já faz três anos desde que ‘Video Games’ estourou na internet, fazendo a alegria dos fãs da música indie pop. Com vocais e aparência sensual, e o clipe para o single filmado pela própria cantora com uma web cam, Lana Del Rey deixou claro desde o começo que veio para ficar. Isso só se consolidou com o debut “Born To Die”. Um disco pop melódico, com produção abraçando o trip-hop e sintetizadores, a artista conseguiu se inserir no cenário pop sem se render a tendências e clichês da indústria. Com composições sombrias sobre o sonho americano e sobre sua adolescência turbulenta regada a álcool, a cantora atraiu uma legião de fãs apaixonados pela sua melancolia.

Se aproveitando do sucesso do primeiro álbum, logo ele foi relançado. Com oito músicas inéditas, o trabalho intitulado Born To Die: The Paradise Edition apresenta uma boa diferença de seu antecessor. Dessa vez, produzido com instrumentos reais, as músicas soam mais orgânicas, mostrando que a tendência dos trabalhos de Lana Del Rey era ficar cada vez melhor.

E então, em 2014, o segundo álbum de estúdio da cantora pela Interscope Records, é lançado. Precedido por seu anúncio na première do curta “Tropico”, e por quatro singles de sucesso, é compreensível o furor e ansiedade dos fãs. As expectativas sobre o lançamento estavam muito altas, e com certeza o resultado final se corresponde ao seu esperado.

Uma das primeiras coisas que você pode fazer ao escutar o “Ultraviolence” pela primeira vez, é pegar o calendário mais próximo para verificar se estamos em 2014 mesmo. Bem, estamos, mas Lana Del Rey não. A cantora parece viver em um mundo fantasioso, onde ainda é a década de 80 e ela é uma jovem rebelde cantando em bares, com uma pequena banda. A sonoridade que remete ao século passado é muito convincente e natural, e mais do que tudo: é linda.

O álbum é introduzido muito bem com a guitarra em ‘Cruel World’. Uma das melhores do registro, a faixa é até o momento a mais longa da carreira da artista, beirando os sete minutos de duração, o que é de certa forma algo incomum na música pop. Em sequência, a faixa título do álbum, e segundo single, é apresentada. A brutalidade do amor é o tema principal do álbum, e é em ‘Ultraviolence’ que a cantora concretiza isso, resumindo a sensação bruta de amar em algo “Ultraviolento”.

Capa do “Ultraviolence”, novo álbum da Lana Del Rey. (Interscope Records)
Capa do “Ultraviolence”, novo álbum da Lana Del Rey. (Interscope Records)

Por mais sombrio e triste que as músicas sejam, elas ainda conseguem soar radiofônicas. ‘Brooklyn Baby’ (segundo single promocional do disco), ‘West Coast’ (primeiro single comercial), ‘Money Power Glory’ e ‘Old Money’ se provam as faixas mais chamativas do trabalho e possíveis sucessos comerciais, caso lançadas como single.

Uma grande surpresa no disco também é a versão finalizada de ‘Black Beauty’. Vazada na internet em meados de 2013, agora a música adquiriu uma sonoridade mais rock e pesada, assim como as outras faixas do álbum. Provando-se assim ser a melhor faixa do Ultraviolence, a cantora narra um romance em que seu parceiro não consegue ver a beleza da vida, ao sempre se cercar de preto.

Referenciando a obra “Laranja Mecânica” em seu título, o álbum é muito sombrio. Produzido por Dan Auerbach, vocalista da banda ‘The Black Keys’, a produção do disco é até simples em sua instrumentação, permitindo-se alguns exageros somente nos vocais da cantora. Utilizando-se de overdub, técnica de sobreposição de vocais, o resultado é uma atmosfera etérea e profunda que preenche deliciosamente os ouvidos. Os vocais já doces da artista, soam muito angelicais, em contradição com o tom pesado das composições.

O álbum é muito coeso e coerente. Todas as faixas são bem construídas em cima do contexto principal do disco (amor brutal), sem soarem repetitivas, e sem perderem a individualidade de suas composições.

Prometido como sombrio e brutal, ‘Ultraviolence’ cumpre o seu papel, e oferece ainda mais: é um registro de altíssima qualidade para deixar os fãs mais do que satisfeitos e encantados, e o queixo no chão de quem um dia subestimou o talento da artista.

 

Leonardo Drozino
Escritor, redator do MAZE e cupido nas horas vagas.