Resenha: Shakira - "Shakira." • MAZE // MTV Brasil
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Resenha: Shakira – “Shakira.”

Gustavo Mata1984 views
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Logo após finalizar a magnífica When The Sun Comes Out Tour, turnê em suporte aos incríveis She Wolf e Sale el Sol – lançados em 2009 e 2010, respectivamente – Shakira declarou estar trabalhando em seu novo álbum, o décimo de sua carreira. Durante o processo, a cantora encerrou seu contrato com a Epic Records, e assinou uma série de acordos com a Roc Nation, Live Nation e RCA: a primeira seria responsável por gerenciar sua carreira, a segunda de divulgar os futuros lançamentos da colombiana e a terceira de lançar e distribuir seus álbuns. Em casa nova, Shakira tinha tudo pronto para lançar seu projeto: o primeiro single já estava definido, inclusive com videoclipe filmado, e uma série de shows para divulgá-lo estava sendo agendada. Mas a inesperada gravidez fez com que a cantora e sua equipe jogassem tudo pro alto e a cantora resolveu dedicar-se a maternidade.

Três anos após o início das gravações e de muito trabalho, Shakira revisitou os estúdios para revisar o material e liberou na última segunda-feira (24) o autointitulado Shakira.. Com uma mistura de diversos ritmos, desde o reggae até o eletropop, o disco é quase um reflexo da essência artística da colombiana, que já se arriscou nos em vários estilos e, por isso, é considerada uma das artistas mais ecléticas do cenário pop.

Em “Dare (La La La)”, Shakira se joga de cabeça no cenário eletrônico, com batidas intensas e letra de fácil assimilação, mas a versão para a Copa do Mundo 2014 (com a participação de Carlinhos Brown) é muito melhor, já que os versos ornam mais com as batidas do que na versão original. “Empire” e “Can’t Remember to Forget You” não precisam de muitos comentários: enquanto a primeira é uma balada interessante, que cresce com o decorrer da música e tem vocais presunçosos, a segunda traz uma pegada de reggae que nos remete a duplinha Fijácion Oral/Oral Fixation, e a participação de Rihanna leva a faixa a outro nível (é visível a diferença que a caribenha faz na música ao escutar “Nunca Me Acuerdo de Olvidarte”, versão em espanhol e solo da música).

“Cut Me Deep”, dueto com a banda MAGIC!, é uma das melhores do disco e também flerta com o reggae, mas é mais harmônica e muito superior a “Forget You”“You Don’t Care About Me” é a grande surpresa da obra, soando até nostálgica e nos remetendo ao início da carreira internacional de Shak com o delicioso Laundry Service. “Broken Record”, “Loca por Ti” e “The One Thing” são belas baladas, mas não estão no mesmo nível da já citada “Empire” ou das magníficas “Spotlight” e “Medicine”. Esta última é uma mistura pop e country e conta com os vocais de Blake Shelton, colega de trabalho da colombiana na bancada do The Voice. “Chasing Shadows” e “That Way” são outras duas baladas interessantes e fecham o disco de forma maestral.

Em suma, Shakira. é uma obra plausível, e merece destaque principalmente por suas composições, que tornam o disco quase um carta-aberta sobre o que acontece na vida pessoal da cantora. Não é o melhor disco da impecável carreira da colombiana, mas satisfaz aqueles que esperaram ansiosamente quase quatro anos por um novo material, e é mais uma prova que Shakira é um dos maiores e melhores artistas que surgiram nas últimas décadas no cenário pop. Não que fosse necessário provar o óbvio, é claro.

Gustavo Mata
Aspirante a escritor e amante da cultura pop, viciado em séries, filmes ruins e Britney Spears.