Resenha: "O Predestinado" • MAZE // MTV Brasil
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Resenha: “O Predestinado”

Sarah Lenievna67 comments22698 views

Ficção científica é um dos poucos gêneros do tipo “ame-o ou odeie-o”. Dificilmente alguém dirá que gosta “mais ou menos” de determinada produção. Nem mesmo os clássicos escapam da divisão de opiniões. Matrix, O Exterminador do Futuro, Alien – sendo este último uma produção de Ridley Scott, considerada uma das melhores do gênero já produzidas – só para citar alguns, são filmes celebrados e cultuados, mas sequer eles conseguiram ser unanimidade entre o público. O Predestinado, 4° filme dos irmãos Michael e Peter Spierig, muito provavelmente também não o será.

O longa tem como protagonistas o ator Ethan Hawke (Dia de Treinamento, Antes da Meia-Noite), que aparece aqui mais como um coadjuvante, e Sarah Snook, que apesar de desconhecida para o grande público, mostra competência ao interpretar uma mulher hermafrodita emocionalmente falida, obrigada a passar por cirurgias que a tornarão um homem. São as cenas que mostram a história de Jane, papel de Sarah, responsáveis por captar a atenção do telespectador e por ajudar a manter a linha de raciocínio de quem assiste o longa. Quando essa cenas acabam, a linha de raciocínio vai junto, pois à partir daí a sensação que fica é a de que os pontos estão desconectados e de que tudo ficou confuso demais para ser entendido.

“Ás vezes, o passado é inevitável”. Essa é a premissa do longa, e uma verdade já explorada outras vezes pelo cinema e pela TV. A série Além da Imaginação mostra isso em alguns momentos, como quando a personagem de Katherine Heigl, durante o episódio O Berço do Mal, tem a oportunidade de voltar no tempo e matar Adolf Hitler ainda bebê e, assim, evitar uma guerra e a morte de milhões de seres humanos. Bem, a situação não termina nada bem e a história segue como a conhecemos. Na obra dos Spierig, Ethan Hawke é um agente atemporal capaz do mesmo, voltar no tempo e evitar desgraças. Ele se disfarça de bartender, afim de conhecer John/Jane, e convencê-lo a voltar no tempo junto com ele para que John mate o homem responsável por ele ter perdido a oportunidade de entrar em uma sociedade secreta de elite após engravidar. O Bartender acredita que o mesmo homem é o psicopata conhecido como Detonador Sussurrante, responsável por matar 11 mil pessoas em 1975, na cidade de Nova York. Ambos tendo em mente o mesmo alvo, se teletransportam para o ano de 1963, ano em que John (ainda como mulher, Jane) conhece o tal homem. Á partir desse momento, inicia-se uma série de idas e voltas no tempo, com saltos de 10, 15, 20 anos para frente e para trás, onde há grandes chances de que o telespectador perca o fio da meada e espere ansiosamente pelo final para que suas dúvidas sejam sanadas. Entretanto, mesmo após o fim do longa, é possível que o mesmo telespectador sinta ou necessidade de assistir ao filme de novo, dessa vez com um novo olhar, ou de simplesmente deixar de lado, devido ao nó na cabeça deixado pelos últimos 40 minutos.

O Predestinado começa bem, mas se perde à partir da metade e faz com que quem assiste se perca junto. Boas atuações, mas desperdiçadas numa história confusa cujo final não compensa as 1:30h de reviravoltas mal explicadas e pontos desconexos.

O filme será lançado no dia 24 de dezembro direto em DVD/Bluray e locação digital, pela Fox-Sony Home Entertainment.

Sarah Lenievna
Amante de rock, cinema e futebol.