Resenha: "Sin City: A Dama Fatal" • MAZE
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Resenha: Muito colarinho e pouca intensidade em “Sin City: A Dama Fatal”

João Batista1980 views

Passados quase 10 anos após o lançamento muito bem sucedido de Sin City: A Cidade do Pecado, as equipes de produção responsáveis pela adaptação da graphic novel escolheram o ano de 2014 para lançar – finalmente – a continuação deste sucesso de bilheteria. Desde o seu anúncio oficial, Sin City: A Dama Datal causou um frisson enorme entre os fãs. A expectativa era grande para a sequência de um filme que arrecadou milhões de dólares ao redor do mundo. Mas afinal de contas, A Dama Fatal conseguiu ser essa Coca-Cola toda?

A princípio, vamos combinar que o elenco é sensacional! Assim como no primeiro filme, a galera se preocupou em manter o elenco com nomes frescos e atuais do cenário pop cinematográfico (rola até uma pontinha da atual cantora de jazz Lady Gaga) interpretando papéis com propostas chamativas. Apesar da gama de atores não ser tão variada como no primeiro, o número menor de destaques ajudou para que cada um tivesse o seu “momento de brilhar” ao longo do filme.

Mas é claro que, desde o lançamento do primeiro trailer, ficou meio óbvio que Eva Green seria a Deusa do longa. E não é pra menos: Eva dá vida à socialite Ava (amei a criatividade pros nomes!), um personagem com uma presença intensa em todas as suas cenas e que rouba a atenção do espectador pelo sex appeal ultra exalante sem ser vulgar demais. Além do mais, seus olhos verdes e boca delineada levam o espectador a concluir que não existiria atriz melhor para o papel da dama fatal de Frank Miller. Além de Eva, quem se destaca super bem é Jessica Alba, no papel da stripper Nancy: dividida entre a depressão e a vingança, Nancy agora aparece mais desapegada e beeem mais sensual – dois fatores que resultara na performance mais quente de Jessica nesses dois filmes. Teve até twerk!

Sobre o filme em si… Bom, já não podemos elogiar tanto quanto o elenco. Estes sim, fizeram a sua parte e entregaram o melhor de si diante do roteiro que lhes foram entregues. Mas ainda assim a ótima atuação de Jessica Alba, Eva Green, Joseph Gordon-Levitt e cia. não conseguiu fazer com que o longa merecesse um joinha assim como o primeiro. O trailer, featurettes e enxurrada de imagens divulgadas durante a promoção do longa nos entregou uma expectativa de que teríamos, sim, um filme com uma estética mais “glamurosa”, porém com o mesmo peso de cenas explosivas e recheadas de gritos, tiros, pancadaria e mutilações. Teve tudo isso? Teve. Mas até a metade do filme, o que mais se vê são dilemas de amor/vingança e conversas sustentadas por planos de fundo requintados da parte high society da Cidade do Pecado. Até aí, quem salva o filme é a turma de garotas assassinas lideradas por Gail (Rosario Dawson) com Miho (dessa vez interpretada sensacionalmente pela Jamie Chung).

Quem assiste em casa, certamente largaria o filme após uns 40 minutos. Apesar dos instantes finais serem excelentes, Sin City: A Dama Fatal não é tão instigante como o primeiro filme, podendo ser rotulado apenas como um bom filme para passar o tempo quando não tiver nada para se fazer. Enquanto isso, o formato monocromático com detalhes secundários em cores continua sendo o grande atrativo do filme. E é com mais um exemplo que aprendemos que nunca devemos criar expectativas para nada nessa vida.

João Batista
Dono, idealizador e fundador do labirinto. Genioso, carioca que não sabe sambar e amante da cultura pop desde 1991.