Resenha: "Broke With Expensive Taste", o aguardado álbum da Azealia Banks • MAZE // MTV Brasil
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Resenha: “Broke With Expensive Taste”, o aguardado álbum da Azealia Banks

Leonardo Drozino3 comments2217 views

Nem parece, mas já faz dois anos que ‘’212’’ estourou e lançou a rapper Azealia Banks no mercado musical. Ao longo desses anos, EP’s, mixtapes, escândalos no Twitter e barracos com gravadoras mantiveram-na sempre em alta na mídia, assim como dizem: “falem bem ou falem mal, mas falem de mim”. Bom, depois de muitos adiamentos e uma imagem um tanto que queimada na mídia, a artista encontrou a sua redenção: seu álbum de estreia, “Broke With Expensive Taste” é lançado independentemente e sem qualquer anúncio prévio pela própria, se tornando assim um dos melhores e mais grandiosos lançamentos da indústria musical em 2014.

Logo na primeira faixa do disco, “Idle Delilah”, é possível ter uma boa noção do que se esperar nas de mais músicas: uma sonoridade introspectiva, mas ao mesmo tempo dinâmica, confidente e vulnerável e bem eclética. O álbum passeará por diversos estilos musicais até o seu fim, mas ao mesmo tempo ele nunca deixa de ser coeso e coerente. É impossível não se sentir em uma casa noturna da década de noventa, com um bom drink na mão enquanto as dezesseis faixas do disco tocam em perfeita harmonia.

A produção do disco é impecável. Os instrumentais são permeados por uma áurea sombria que preenchem os ouvidos, como na curiosa e incrível “Desperado”, e nas já conhecidas “Heavy Metal and Reflective” e “Yung Rapunxel”. As batidas são tão autênticas quanto o talento de Banks para fazer raps ricos e ágeis, acompanhadas de sintetizadores que reforçam ainda mais a primeira impressão de estar ouvindo música de uma década diferente.

Os vocais da artista são um caso a parte. Ela já tinha mostrado ao vivo muitas vezes que conseguia fazer raps incrivelmente rápidos e complexos sem perder o fôlego ou precisar de alguma base pré-gravada, e também mostrou que não é apenas uma rapper, é uma cantora também. Em “JFK” (de longe a melhor faixa do disco), Banks apresenta um refrão cantado com vocais belos e suaves, capazes de derreter o ouvinte. Pode-se dizer que as faixas mais interessantes do álbum são aquelas em que os vocais cantados são predominantes ou em iguais proporções aos raps, como na dançante e provável futuro single de sucesso “Ice Princess” (que contém samples da canção “In The Air” do produtor Morgan Page), na faixa “Miss Amor”, e no atual single “Chasing Time”.

Broke With Expensive Taste” pode ter demorado um pouco além do esperado para sair, porém, foi lançado em um momento mais do que apropriado para aquecer um mercado musical que andava um pouco saturado de um hip hop fabricado e repetitivo. Retornando às raízes do gênero e incorporando o melhor de outros, Azealia Banks foi além de todas as barreiras e entregou um trabalho autêntico e que dá gosto de ouvir e ouvir repetidas vezes.

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Leonardo Drozino
Escritor, redator do MAZE e cupido nas horas vagas.