CCXP 2015: Novidades, confusões e histeria no painel da Netflix • MAZE // MTV Brasil
FilmesGeekPostsSéries e TV

CCXP 2015: Novidades, confusões e histeria no painel da Netflix

Luiz Henrique Oliveira1220 views

Érico Borgo entrou no auditório Cinemark e o lugar quase veio abaixo. Um pouco antes, já havia vindo o aviso: se houvesse qualquer manifestação mais exaltada do pessoal em relação aos talents que passariam pelo palco durante o painel da Netflix, que terminava de instalar seus letreiros abaixo dos telões por ali, tudo poderia ser cancelado. Tanto os clipes inéditos quanto a conversa ao vivo com os atores. O pessoal compreendeu – ou fingiu compreender.

Depois de uma breve introdução, onde novamente avisou sobre as manifestações exaltadas e sobre a exigência da Netflix de proibir qualquer filmagem do conteúdo exclusivo que seria exibido dali a alguns minutos, usando de seguranças espalhados pelo espaço inteiro prontos para retirar quem levantasse o celular em direção aos telões, Borgo anunciou que o show iria começar:

ccxp-netflix-maze-3

  • Cem Olhos: foi exibido um clipe do ator Tom Wu, intérprete do professor de artes marciais cego na série Marco Polo, saudando o público brasileiro, e anunciando um especial produzido especialmente para seu personagem. Foram exibidas imagens de bastidores e algumas cenas desse especial, que mostra como Cem Olhos se tornou o grande mestre que, anos depois, seria o mentor do italiano Marco Polo na trama da Netflix.

ccxp-netflix-maze-4

  • O Tigre e o Dragão: trechos do filme que continuará a história mostrada no famoso longa de Ang Lee foram exibidas pela primeira vez na CCXP, mas precisaram ser retransmitidas por conta de problemas técnicos – que ainda persistiram no auditório, apesar dos avisos no dia anterior. O estilo “lutadores-voadores” ainda está lá, a estética continua a mesma, o que é excelente notícia para os fãs do original.

ccxp-netflix-maze-5

  • Demolidor (Segunda Temporada): Charlie Cox, Jon Bernthal e Élodie Yung surgiram nos telões da CCXP para cumprimentar o público e anunciar trechos da segunda temporada que também tiveram que ser reexibidos por conta de falhas técnicas. Nas cenas, o Demolidor aparece descobrindo os métodos de trabalho do Justiceiro – uma cena muito bem feita, aliás.
ccxp-netflix-maze-1
Krysten Ritter e David Tennant no painel de “Jessica Jones” da Netflix na CCXP.
  • Bate-papo com Krysten Ritter e David Tennant: o público mal conseguiu se conter quando Érico Borgo anunciou os atores da famigerada Jessica Jones para que eles subissem ao palco. Houve uma ovação estrondosa, que surpreendeu até mesmo a dupla, que mostrou-se bastante feliz com a recepção brasileira. A entrevista tinha previsão para meia hora de duração, mas durou um pouco mais de quinze minutos, surpreendendo Tennant – astro que até então havia roubado a cena com sua extrema cordialidade, simpatia e sotaque britânico – que estava respondendo a segunda pergunta de três que foram sugeridas pelo público. Sua reação decepcionada foi visível, e o constrangimento foi geral. Até o momento, nenhum dos organizadores se posicionou a respeito do corte da entrevista com Ritter e Tennant. Apesar do pouco tempo, deu tempo de ouvi-los comentar sobre alguns pontos: questionado sobre uma suposta alegria em interpretar um vilão, o eterno Doctor Who discordou, afirmando apenas entender suas motivações; enquanto Ritter comentou gostar de interpretar uma personagem “durona”. Por conta do corte, não se pode saber mais nenhum detalhe a respeito da série ou dos atores.
ccxp-netflix-maze-2
Os atores de “Sense8” no painel da Netflix na CCXP.
  • Sense8: em seguida, foi a vez dos atores de Sense8 enlouquecerem o público. Aml Ameen, Jamie Clayton e Alfonso Herrera só conseguiram começar a falar depois de aproximadamente cinco minutos de ovação, entre palmas e gritos do pessoal que os esperava. E o assunto dessa conversa girou quase sempre em torno da representatividade dos personagens da série criada pelos irmãos Wachowski. Clayton era a mais agitada, provocando o público em toda a oportunidade, como quando comentou sobre a filmagem da famosa cena da orgia, que se passa em diversos locais do mundo, e também sobre a oportunidade de representar sua comunidade: “É uma honra representar minha comunidade, que por muito tempo foi mal representada. Não é a primeira vez que alguma coisa do tipo foi feita, mas é a primeira com alcance mundial”. Aimeen falou sobre como o trabalho com os Wachowski (“Trabalhar com eles faz a sua cabeça explodir”, ele afirmou), e como eles têm a capacidade de conectar várias histórias com diferentes graus de emoções de um jeito bem amarrado. Já Herrera destacou principalmente a multiculturalidade do projeto (“A série dá espaço para o mundo todo. Eu comemoro essa internacionalidade”). Quando o painel foi encerrado, Ameen pediu a palavra, agarrou um microfone e puxou “One Love”, de Bob Marley, com o coro de todos os presentes. Um momento de arrepiar.

Após uma hora e quinze minutos de apresentações, o painel da Netflix – o último do dia – foi encerrado. O mais aguardado momento da CCXP 2015 teve um anticlimax estranho, com o corte repentino da entrevista de David Tennant e Krysten Ritter. E também um certo despreparo na organização da fila para a entrada no auditório: mesmo quando já estava claro que o local estava com sua capacidade máxima, algum(a) animador(a) vinha para o palco montado em frente ao red carpet dar falsas esperanças para as centenas de pessoas que aguardavam a sua vez de entrar. Os primeiros posicionados na fila aguardavam na mesma posição por duas horas e meia sem avançar, fora outras três andando a passos lentos. Quando um princípio de tumulto se formou, foi preciso que Érico Borgo surgisse e, usando de grande franqueza, informasse ao público que não estava nos primeiros lugares da fila poderia se dispersar, pois não haveria qualquer chance de conquistarem uma cadeira no auditório. Colocando de lado essas falhas, podemos dizer que o trabalho da Netflix na CCXP foi excelente, e despertou um enorme interesse e curiosidade em suas produções originais para 2016.

Luiz Henrique Oliveira
Nasceu no interior de São Paulo em 1986 e escreve sobre cinema em blogs desde 2004. Curte drama, comédia e ficção científica, mas ama mesmo O Poderoso Chefão. Tem interesse no mundo geek, em música brasileira e pode ser facilmente confundido com o Chico Bento pelas ruas da capital paulista.