2016: o ano em que a Lady Gaga se reinventou e renasceu com seu “Joanne” • MAZE // MTV Brasil
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2016: o ano em que a Lady Gaga se reinventou e renasceu com seu “Joanne”

Victor Cavalcanti1291 views

Lady Gaga como sempre nos surpreendeu, mas dessa vez, com seu Joanne, ela nos pegou pela mudança de estética e de estilo, não pela estranheza. A gente amou e vai vai enaltecer.

A história de Joanne basicamente se inicia em 2013, com seu álbum solo anterior, ARTPOP. Com esse projeto Gaga havia prometido uma nova forma de se consumir música, disse que haveria um app para essa experiência, haveria vídeos para todas as músicas e que todas as faixas, até as que não fossem para o possível disco, seriam lancadas nesse app. Muita promessa, e quase nada foi cumprido.

Para ARTPOP, Lady Gaga havia lançado o compacto com apenas um single, “Applause”, tudo certo até aqui. Depois de muita dúvida, “Do What You Want” até então promocional, se tornou single. Mas deu ruim. O featuring da faixa, R. Kelly se envolveu em um escândalo que envolvia pedofilia. Claramente, para não manchar Lady Gaga, cancelaram o single. Tentaram emplacar a mesma canção com a Christina Aguilera, mas não rolou.

Comunicação precária, álbum mal promovido, ainda havia uma chance, chance boa chamada “G.U.Y.” mas que não emplacou mesmo assim. Infelizmente, o projeto perdeu timing, não cumpriu com o prometido e morreu no popular flop. Há músicas muito boas, é um álbum muito bom, mas mal promovido por uma má sorte bem grande. Era bem claro que Gaga estava cansada. Era álbum atrás de álbum, turnê atrás de turnê, ela estava esgotada e perdendo o sentido de estar ali. ARTPOP era a o resultado de um esgotamento, talvez.

Em algumas entrevistas (como esta), Lady Gaga falou sobre seus problemas de ansiedade e depressão e como essa época obscura ajudou a piorar seu estado. Até que ela decidiu reenergizar-se fora do seu campo de conforto e foi fazer tudo que queria e não havia feito.

Ela começou pelo Jazz, lançando um álbum em conjunto com Tony Bennett e saindo em turnê com ele. Sim, ela continuou na música, mas era uma turnê bem mais simples e menos pesada que suas super produções. Era trabalho na medida e um momento de exploração de novos horizontes. Continuou a se explorar participando de American Horror Story: Hotel e se descobrindo como atriz, coisa que rendeu um Globo de Ouro bem merecido para a mãe monstra.

De repente, em 2016, Gaga decide voltar ao mercado da música e lança “Perfect Illusion” e da forma que não esperávamos, entrega algo que ninguém esperava: um faixa pop-rock. Muita gente amou, até gente que nunca tinha gostado de Lady Gaga, e muita gente achou meio pombo ruim, pois queria farofa algo mais pop eletrônico, como “Bad Romance”.

Mas o que temos em Joanne é honestidade. E é sim um som pop, mas influenciado pelos estilos que Gaga aprecia, como country e rock. Por mais assustados que os “fãs” e “juízes de internet” ficaram, quem realmente acompanha Lady Gaga desde o início, sabe bem que tudo dentro deste disco não foi novidade. Ela já flertou com o country, com o rock e muitas baladinhas de piano nos álbuns anteriores. A única diferença aqui é que Gaga não tem mais medo de ser crua, de ser ela e fazer artisticamente com a estética que ela quiser.

Joanne conquistou público e crítica com força, entregou um trabalho sensacional de lindo, sem ter medo de ser simples e crua. Pode ser que no próximo ela seja mais pop, ou mais rock, ou mais folk, ou mais country, ou mais funk, ou mais qualquer-coisa-que-ela-quiser. O que precisamos aprender é respeitar a expressão dos artistas e permitir que eles mostrem algo diferente do anterior. Afinal, se você gosta tanto de “Born this way” e “Bad Romance”, ouça as faixas e seja feliz. Deixa a Lady Gaga, a Rihanna e todxs os artistas serem quem eles querem ser. Honestidade.

Temos “Million Reasons” pra te amar, Gaga.

Victor Cavalcanti
Comunicador formado pela Universidade Metodista, narcisista desde os 15 anos, artista desde sempre. O resto tu descobre por aí.